História do Ensino das Ciências Naturais no Pará (1870-1970)
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
- 14 - Vida na Água
- 15 - Vida Terrestre
Resumo
O presente projeto tem como objetivo perscrutar a história da educação científica na Amazônia, principalmente no Pará, entre 1870 e 1970, com vias a analisar aspectos históricos e culturais do processo de difusão das ciências por meio da educação nessa região. Nesse sentido desenvolveremos subprojetos e planos de trabalho iniciação científica, dissertações, teses que terão, dentro do período demarcado, as ciências como objeto de análise nos mais variados espaços educacionais da sociedade. Assim, investigaremos as Ciências nas instituições de ensino, dos variados níveis; nos programas de ensino; em revistas especializadas da educação e de sociedades científicas; em livros e manuais didáticos; na trajetória e nos discursos de intelectuais; na tradução de obras de viajantes estrangeiros que passaram pela Amazônia. O marco inicial da pesquisa foi escolhido por ser um momento de aceleração da entrada de bens materiais e ideológicos oriundos da modernidade, entendido pela historiografia como Bellé-Èpoque Amazônica, que refletiu no contexto educacional local. Por exemplo, entre 1870 e 1874 os três níveis de ensino geridos pela instrução pública ensino primário, secundário e profissional previam o ensino de ciências em seus currículos. O marco final foi escolhido por se tratar do início de uma década em que as ciências passaram a ganhar maior destaque no contexto do ensino brasileiro, com a disseminação, por exemplo, de diversos projetos voltados para a educação científica. Por se tratar de múltiplos objetos de estudos, que serão conduzidos por uma equipe multidisciplinar, mas que tem em comum a análise histórica da educação científica na Amazônia, principalmente no Pará, a perspectiva de análise será plural. Nesse sentido dialogará com os estudos culturais, a história das instituições, a história do currículo e das disciplinas escolares, a análise do discurso, a perspectiva histórico crítica e pós-crítica; os estudos da tradução. A materialização da pesquisa se dará por meio de um levantamento de fontes escritas e orais, que envolve o trabalho em arquivos, bibliotecas, setores de obras raras, etc. Haverão, ainda, entrevistas com testemunhas oculares do processo de difusão das ciências na educação da amazônica paraense, como professores e discentes. Como resultados vislumbra-se a organização de um banco de fontes, para ser disponibilizado virtualmente, por meio de plataformas que disponibilizam acesso em nuvens; também a produção de artigos sobre continuidade da análise do processo de difusão das ciências por meio das primeiras escolas Amazônicas, criadas no século XIX, como o Liceu Paraense, atual Colégio Estadual Paes de Carvalho e destinado ao ensino secundário; como a Escola Normal do Pará, voltada a formação de professores; o Instituto Lauro Sodré, destinado a educação profissional e, também, o ensino primário. Além disso, a análise do papel de intelectuais como José Veríssimo, paraense que dirigiu a instrução pública no Pará no início da República e é reconhecido como um grande influente da literatura nacional; José Paes de Carvalho, médico e político paraense, que governou o Pará, participando ativamente da vida intelectual do Estado e da difusão das ciências na educação; entre outros. Por fim, o projeto prevê a organização de um livro sobre a história da educação científica na Amazônia. Assim, de modo amplo, vislumbra-se adensar o conhecimento sobre a história da educação científica na Amazônia, contribuindo para a história da ciência e educação no Brasil.