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Distribuição espacial da complexidade econômica no Pará: um estudo das concentrações e das potencialidades de sofisticação produtiva

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS
Subunidade
FACULDADE DE CIENCIAS ECONOMICAS
Coordenador
RAFAEL MORAES DE SOUSA
Período
2024-11-05 a 2026-10-04
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade
  • 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
  • 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis

Resumo

Existe uma forte relação, de caráter espacial, observada na possibilidade de uma região poder se beneficiar de um aumento na sofisticação da atividade econômica de seus vizinhos geograficamente próximos (MORENO; TREHAN, 1997). A literatura pautada no componente espacial afirma que a distância é uma importante variável explicativa em modelos empíricos de comércio e transbordamentos (spillovers), e há forte evidência de que a taxa de crescimento de determinadas regiões seja positivamente influenciada pelas taxas de crescimento e dinamismo de regiões geograficamente próximas (ANSELIN, 1988; LESAGE, 1998; GOLGHER, 2015). Uma das premissas essenciais levantadas por Hidalgo e Hausmann (2009) sobre a sofisticação produtiva remete à existência de características relativas ao desempenho econômico que não podem ser importadas (infraestrutura, regulação, habilidades especiais da força de trabalho etc.), mas que precisam ser desenvolvidas internamente. Portanto, o desempenho de uma economia está diretamente ligado à eficiência em diversificar suas capacidades locais não comercializáveis ( capabilities non-tradeable). Considerando a possibilidade de que transformações ocorridas em certa localidade podem afetar outras pelos efeitos de transbordamentos (spillovers) decorrentes, o presente trabalho estende essa relação espacial à complexidade econômica das regiões, a partir da seguinte problemática: a sofisticação do tecido produtivo (atividades e bens) observado em uma área possui relação (unilateral ou bilateral) com a complexidade nas áreas vizinhas? A hipótese da pesquisa se baseia no argumento de que, a dinâmica da complexidade econômica, vista pela perspectiva regional, pressupõe que a proximidade com regiões mais complexas dispõe uma relação de transbordamentos positivos das skills e capabilities já desenvolvidas localmente nas regiões (com maior diversidade produtiva), de forma que localidades mais próximas podem ser as principais beneficiadas nesse processo de difusão espacial das habilidades e condições estruturais. A partir da grande heterogeneidade entre as regiões, uma forma eficiente de impulsionar o processo de sofisticação do tecido produtivo regional passaria pela identificação dos clusters de complexidade e das relações de proximidade com as regiões vizinhas. O estudo se justifica pela necessidade de compreender os efeitos dessas relações e os transbordamentos possíveis entre elas, dado que as habilidades locais desenvolvidas tendem a possuir efeitos mais significativos em regiões próximas (economia de aglomeração) do que em regiões distantes. Logo, os resultados podem proporcionar um direcionamento eficiente de estímulos sobre habilidades locais específicas e potenciais, assim como apontar em quais regiões cada uma dessas diversas habilidades locais deve ser estimulada. Em outras palavras, existe a possibilidade de obter um retrato acurado das reais potencialidades regionais de modo que, a partir da constatação empírica de significância estatística entre os benefícios da proximidade com uma região complexa, seja possível estimular efeitos de spillovers. Para esse propósito, esta pesquisa adota uma abordagem empírica amparada por três contribuições: o cálculo do Indicador de Complexidade Econômica (ECI) para todos os municípios dos estados analisados, possibilitando, assim, a visualização espacial da complexidade nos territórios; a instrumentalização do Local Indicator of Spatial Association (LISA) para compreensão da formação espacial de clusters de complexidade no espaço; e a estimação de regressões espaciais baseadas em Modelos de Dependência Espacial de Alcance Global (MEAG), cuja a finalidade é testar a viabilidade de disseminação espacial de uma região mais complexa para outras.