O Sistema Petrolífero da subbacia do Juruá, Bacia do Solimões: Estratigrafia, Petrologia, Datação e Paleontologia
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- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
Resumo
A prospecção de petróleo e gás natural na região amazônica sempre foi um desafio devido as dificuldades de acesso, custo da logística e a escassez de afloramentos. O que torna esta região a última fronteira na exploração de hidrocarbonetos no Brasil. A descoberta na década de 70 de petróleo e gás natural na bacia do Solimões impulsionou o desenvolvimento de pesquisas geofísicas e geológicas que demonstraram o enorme potencial exploratório e econômico das reservas desta bacia. Atualmente, está bacia é um importante polo petrolífero onshore do Brasil, sendo a maior reserva de petróleo e gás natural do país (Mello et al., 1994; Barata & Caputo, 2007). A bacia do Solimões é dividida nas sub-bacias de Jandiatuba e Juruá. O principal alvo de explorações para hidrocarbonetos é a sub-bacia de Juruá, onde foram descobertas as primeiras reservas em 1978 pela Petrobras (Eiras et al., 1994; Wanderley Filho et al., 2007). As bacias sedimentares intracratônicas da América do Sul foram formadas durante o início do Paleozoico, principalmente entre o final do Cambriano e início do Ordoviciano, e registram vários ciclos transgressivos-regressivos que deram origem as espessas sequências siliciclásticas que atuam como reservatórios onshore com quantidades significativas de hidrocarbonetos (Eiras, 1998; Milani & Zalán, 1999; Gonzaga et al., 2000; Wanderley Filho et al., 2007; Gonçalves et al., 2008). A Bacia do Solimões é a terceira maior produtora de gás natural e petróleo do Brasil, possuindo uma das principais reservas de hidrocarbonetos onshore da américa latina com uma produção diária de aproximadamente 95 mil barris de óleo e gás natural, mesmo tendo apenas 7 campos exploratórios (ANP/SDP/SIGEP 2022). Apesar de sua importância econômica, só recentemente foi possível obter um conhecimento mais aprofundado de sua história deposicional, diagenética e paleoambiental (Lima & De Ros, 2002; Elias et al., 2004; Becker, 2005; Barata & Caputo, 2007; Santos, 2023). Os atuais avanços no conhecimento da história geológica da bacia se devem ao recente acesso às informações de poços de várias bacias brasileiras disponibilizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a possibilidade de analisar diversos tipos de amostras destes poços conforme a Resolução ANP Nº 71/2014 que determina os procedimentos para coleta e manejo de amostras das bacias sedimentares brasileiras. Recentemente, a Universidade Federal do Pará recebeu um volumoso acervo de rochas provenientes da Bacia do Solimões, mais especificamente da sub-bacia do Juruá, região entre Carauari e Urucu. O acervo conta com caixas de testemunho de sondagem, amostras de calha e lateral, além de lâminas delgadas das unidades litoestratigráficas que constituem rochas sedimentares do Siluriano ao Carbonífero Superior, incluindo algumas amostras de diabásio. A aquisição deste material é uma excelente oportunidade de estudar o sistema petrolífero da Bacia do Solimões, pois possibilita a pesquisa de suas características faciológicas, estratigráficas e diagenéticas o que permite uma melhor compreensão dos processos sedimentares e pós-deposicionais que ocorreram na bacia e o refinamento das reconstituições paleoambientais dos depósitos do sistema petrolífero Devoniano-Carbonífero.