EVOLUÇÃO DA BACIA ARARAS-ALTO PARAGUAI, CRIOGENIANO SUPERIOR-ORDOVICIANO DO SUL DO CRÁTON AMAZÔNICO
Resumo
Depósitos espessos e contínuos de rochas carbonáticas e siliciclásticas pré-silurianos ocorrem em uma bacia invertida no Sul do Cráton Amazônico, denominada aqui de Bacia Araras-Alto Paraguai. Esta Bacia foi previamente incluída na evolução da Faixa Paraguai, considerada uma sutura de colisão ligada a Tectônica Pan-Africana-Brasiliana. Enquanto os depósitos carbonáticos possuem inequívocos registros de capas carbonáticas pós-glaciação global do Marinoano (635 Ma), a recente idade cambriana dada aos depósitos siliciclásticos sobrepostos, previamente considerados ediacaranos, aponta para uma evolução da Bacia que alcançou o início da formação do Gondwana Oeste. Da mesma forma, dados estruturais disponíveis para a região sugerem que a Bacia araras-Alto Paraguai foi invertida por tectônica transtensional e não colisional, implicando que o modelo prévio de foreland precisa ser revisto. Esta pesquisa pretende discutir a evolução da Bacia Araras-Alto Paraguai do Criogeniano Superior (Marinoano) até o Ordoviciano, integrando os modelos paleoambientais preexistentes e aqueles a serem gerados nesta pesquisa principalmente pela análise de afloramentos da porção nordeste da bacia que ainda são pouco estudados. A investigação será embasada por estudos estratigráficos, paleogeográficos, geocronológicos e dados disponíveis sobre a tectônica. A reconstrução paleoambiental e paleogeográfica da Bacia Araras-Alto Paraguai permitirá a elaboração de um arcabouço sequencial para a sucessão estratigráfica, bem como, contextualizará sua história nos estágios iniciais do Gondwana Oeste. A proposta de bolsa de produtividade proporcionará uma integração entre profissionais de Geociências da UFPA, UNB, USP, UFPE e Universidade de Cincinnati (EUA) com impacto direto na formação de recursos humanos no âmbito das pesquisas de pós-graduação do Grupo de Análise de Bacias Sedimentares (GSED) e do Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica (PPGG) da UFPA.