Arqueoturismo e socialização do patrimônio arqueológico: práticas, desafios e potencialidades
ODS vinculados
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
Resumo
O potencial arqueológico do Brasil é enorme e é representado por uma grande quantidade de sítios por toda a extensão do País. Atualmente, cerca de 41 mil sítios arqueológicos já foram cadastrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A situação destes sítios é diversa, pois, há sítios que foram pesquisados, enquanto outros não, muitos apresentando problemas de conservação por agentes naturais e antrópicos, alguns estão musealizados (Andrade, 2012). Nesse contexto, apenas 11 sítios arqueológicos são tombados (IPHAN, 2025), o que corresponde a um número muito pequeno em relação ao total cadastrado. Os sítios arqueológicos brasileiros, por sua importância histórica, interesse paisagístico e valor estético, estão se tornando um destino de visitação e despertando interesse pela sociedade já há algum tempo. A inserção desses sítios em roteiros turísticos é uma realidade no país. O Brasil aparece em 13º lugar como destino de turismo cultural e em 17º como destino internacional de turismo arqueológico (Tresserras, 2009, p. 116), destacando-se que a consideração do Brasil como destino arqueoturístico está vinculada com outras atividades culturais ou de natureza. No Brasil, há exemplos de sítios arqueoturísticos tanto do período histórico (missões religiosas, quilombos, fortalezas, fortes, engenhos, etc.) quanto do período pré-colonial (arte rupestre, sambaqui, etc.). Esses últimos são os que despertam maior interesse do público, muitas vezes atraído por sua antiguidade ou pela estética dos vestígios expostos, como é o caso dos sítios com arte rupestre. Segundo Andrade et al. (2025), em sua pesquisa realizada em 2024, foram identificados 346 sítios arqueológicos que recebem visitação, e muitas dessas visitas ocorrem de forma não planejada. Como esses dados não refletem integralmente a realidade do país, é importante a continuidade das pesquisas. Portanto, este projeto propõe investigar o Arqueoturismo como estratégia de socialização e valorização do patrimônio arqueológico brasileiro, a partir de uma abordagem interdisciplinar entre Arqueologia, Museologia e Turismo. Tendo por objetivo compreender como as iniciativas de turismo arqueológico vêm sendo desenvolvidas no país, identificar práticas e processos de musealização in situ e analisar estudos de caso de experiências comunitárias e orgânicas em contraponto às experiências promovidas pelo Estado.