← Voltar

Configurações da violência na Amazônia: uma análise social das obras de Edyr Augusto

Unidade
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS
Subunidade
POS-GRADUACAO EM ANTROPOLOGIA
Coordenador
FERNANDA VALLI NUMMER
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade

Resumo

Violência em territórios periféricos e regiões ribeirinhas e literatura amazônica são temas que se aproximam tanto da Antropologia, como da Ciência Política, mas é na Sociologia que encontramos uma área mais estruturada com conceitos e metodologia de análise determinados. Este projeto, embora enfoque essa perspectiva, é possível analisar as obras que nos propomos também a partir da perspectiva da literatura como fonte de dados antropológicos. A literatura como fonte de dados para o estudo do imaginário social e das representações sociais é alvo de discussão na virada antropológica do final do século XX e início do século XXI com a corrente denominada pós-moderna. No Brasil, Mario de Andrade e Darcy Ribeiro são exemplos de como essa proximidade entre literatura e etnografia pode ser possível. As obras citadas no corpo do projeto que são a fonte de dados, também permitem recorrer a Ciência Política, que vê a literatura como um fenômeno social e político intrínseco à experiência humana, pois reflete e crítica a influência das estruturas e dinâmicas de poder. Além disso, a violência enquanto fenômeno estudado nestas três áreas, apresenta diferentes definições teóricas. Estas abrangem desde o uso da força física e o monopólio estatal, passam pela desagregação social e chegam às formas mais sutis e sistêmicas de dominação e opressão. Assim, embora o projeto enfoque essa nova perspectiva do Romance da Violência, outras análises são possíveis a partir das três áreas das ciências sociais. As obras literárias escolhidas, sem dúvida, levam em consideração também a posição crítica e do autor e sua profundidade narrativa diante da violência vivida por parte da população Amazônica Edyr Augusto Proença é um escritor paraense, nascido em Belém, que “tem uma carreira consolidada como autor de histórias ácidas e cruas, situadas na Amazônia, mas que poderiam se passar em qualquer grande centro urbano” (Gabriel, 2022). As obras do autor que serão analisadas aqui são: Os éguas, Moscow, Casa de Caba, Pssica e Belhell. A escolha destas obras, além de terem sido publicadas pela editora Boitempo, conhecida por suas produções exclusivamente críticas e de perspectiva marxista, também foram traduzidos em francêsampliando a divulgação sobre a vivência na Amazônia para Europa. Sua forma de narrativa através de frases curtas e impactantes envolve o leitor em situações de violência que os personagens vivenciam e suas formas de reação. O autor vem de uma família de escritores, jornalistas, radialistas e pioneiros nas artes em Belém. De acordo com entrevista concedida ao Podcast Trópico Úmido: “Eu me formei lendo essas coisas [leitura de jornais de Rio e São Paulo e, especialmente, de cronistas, como Nelson Rodrigues, Drummond e Clarice Lispector] e compreendendo a linguagem e, com Nelson Rodrigues, compreendendo isso que, de alguma maneira, eu puxo para o meu estilo de mostrar o homem brasileiro, no meu caso, prefiro mostrar o paraense, de modo realista, ao mesmo tempo, com uma grande ironia (meu avô era muito irônico também, aprendemos muito com ele) e com uma escrita mais leve, sem pesar a pena” (Pinho, 2025) . Assim, considera-se que suas obras podem ser analisadas dentro do pressuposto de que seus enredos são representações do mundo social, carregam visões de mundo, valores, normas econflitos de uma época e de grupos sociais específicos em suas classes, gêneros, etnias e nações. Dessa forma, as obras do autor tratam das experiências de vida de diferentes grupos sociais em uma perspectiva cultural da Amazônia como palco de acontecimentos violentos e de pessoas com suas adaptações e ou respostas aos desafios da vida social de uma forma crítica e numa perspectiva de superação às violências que as desigualdades sociais carregam.