Diversidade Sexual e de Gênero, Política e Antropologia.
ODS vinculados
- 5 - Igualdade de Gênero
- 10 - Redução das Desigualdades
Resumo
Trata-se de projeto de pesquisa aprovado na Chamada 23/2025 do Conselho Nacional de. Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com concessão de Bolsa de Produtividade em Pesquisa, nível PQ-C, com vigência de 36 meses, de agosto de 2026 a julho de 2029. Em pesquisas desenvolvidas em pouco mais de dez anos, chegamos à conclusão parcial de que os silenciamentos, apagamentos e/ou enquadramentos reguladores da diversidade sexual e de gênero, em prol do binarismo de gênero, da heterossexualidade compulsória e da heteronormativiade, parecem ser mecanismos inseridos em um dispositivo essencializador e naturalizador sustentado pelos sistemas médico-científico e jurídico-normativo, com o apoio de moralidades religiosas de produção do projeto hegemônico de nação no Brasil uma nacionalidade eurocentrada, branca, heteronormativa e reprodutora de inúmeras modalidades de colonialismos internos. Propomos uma reflexão sobre o papel das práticas dos/as cientistas sociais em geral e, particularmente, dos/as antropólogos/as (e também dos/as arqueólogos/as, museólogos/as e historiadores/as) na con-formação ou de-formação de discursos sobre a nacionalidade ou ideologia de nation-building, em contextos em que são acionados (ou desacionados, quiçá) os marcadores sociais de gênero e sexualidade, entre outros marcadores, como raça e etnia/etnicidade. As perspectivas teóricas e epistemológicas críticas e reflexivas desenvolvidas nas últimas décadas a crítica feminista, a perspectiva queer e suas atualizações no Sul Global e as epistemopolíticas decoloniais podem subsidiar o nosso intuito de observar as formulações de ideologias de construção de nação em sua relação com a constituição e manutenção dos dispositivos modernos de gênero e sexualidade no âmbito dos Estados nacionais e das relações entre Estados no sistema-mundo. Por um lado, informado pelos mecanismos que estão na base da colonialidade/imperialidade do poder/saber estruturadores da diferença colonial e dos colonialismos internos e, por outro, consciente do potencial heurístico desprovincializador do fazer antropológico do ponto de vista do Sul Global, este projeto pretende analisar, a partir das margens do Estado, as formas originais de resistência criativa aos saberes, discursos, práticas e poderes disciplinares médicos, jurídicos e religiosos que foram naturalizados e se tornaram hegemônicos em diversos contextos nacionais mundiais. Trata-se de abordar os mecanismos de enquadramentos reguladores da diversidade sexual e de gênero em um âmbito mais amplo, no seio dos processos de construção e manutenção de identidades nacionais em conjunturas atuais de sociedades plurais pelo mundo afora, o que será feito numa perspectiva etnográfica comparada, multissituada ou global consciente dos efeitos múltiplos da colonialidade do saber/poder e das novas situações coloniais. Enfim, buscar-se-á verificar a relação entre a antropologia e aqueles mecanismos reguladores no seio desses processos identitários.