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Indústria Cultural e Subjetividade na Era Digital: desafios à psicologia social

Unidade
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS
Subunidade
FACULDADE DE PSICOLOGIA
Coordenador
MAURICIO RODRIGUES DE SOUZA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade

Resumo

Em seu seminal escrito de 1947 acerca do tema, Theodor Adorno e Max Horkheimer compreenderam a indústria cultural como amplo processo de reapropriação da produção artística e cultural humana pela lógica de mercado, matriz última segundo a qual a própria vida em sociedade há muito se organizaria. Uma pertinente atualização dessa discussão aparece hoje em um contexto digital capitaneado pela internet, com mudanças progressivamente impostas pelas demandas geopolíticas relativas à globalização como movimento integrativo que proporcionou a formação e/ou consolidação de oligopólios industriais e midiáticos responsáveis pela criação e distribuição tanto de produtos culturais quanto dos equipamento que os reproduzem (como tablets, smartphones e tvs de última geração), estabelecendo com isso uma indústria cultural também ela de caráter global. No interior desse cenário, além de haver sido desenvolvida uma maior dose de coerção à emissão onde o sujeito, antes sugestionado apenas a consumir, agora se vê impelido a também produzir e compartilhar conteúdos, a infinidade de dados disponibilizados pelos usuários na rede passou a ser utilizada por empresas de variados ramos para, além de traçar perfis específicos de consumidores, oferecer-lhes um conteúdo dito “personalizado”, o qual pode ser pensado em termos de uma exploração ubíqua. É, portanto, considerando esse quadro geral que o presente projeto de pesquisa se volta a uma investigação acerca da interrelação entre indústria cultural e produção de subjetividade na atualidade, sendo tal movimento pensado a partir de três eixos norteadores: aproximações entre a perspectiva adorniana acerca da temática e a psicanálise freudiana; atualizações da discussão em um contexto psicossocial hoje atravessado pela chamada cultura digital e; eventuais desdobramentos desse debate em termos da particularidade das suas expressões nacionais, regionais e locais. Para tanto, em termos metodológicos se utiliza da revisão bibliográfica e comparativa de textos referentes à temática da indústria cultural e a outras a ela adjacentes, tais como presentes em livros, capítulos e artigos que, em alguma medida, dialoguem com as hipóteses e ideias expostas aqui. Ao levar em conta, contudo, os atuais desdobramentos da indústria cultural - em particular, a partir do advento da internet e, por derivação, do desenvolvimento e popularização de novas mídias -, também o recurso à análise de conteúdo se revela bastante útil aos seus propósitos, análise essa que favorece o estabelecimento de inferências acerca do contexto de produção e recepção de mensagens, sendo aplicável a diferentes tipos de comunicação – sejam elas verbais, musicais, visuais ou escritas. No que tange às suas metas, as principais delas consistem tanto na difusão dos resultados obtidos por si junto à comunidade acadêmica (seja pela oferta de disciplinas junto aos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Psicologia da UFPA, pela via de congressos científicos, ou ainda pela produção escrita de artigos a serem publicados em revistas indexadas pela CAPES no Brasil e/ou exterior) quanto na formação de novos pesquisadores, o que tende a se estabelecer por intermédio da orientação de projetos de iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado.