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Atenção a saúde mental de mães universitárias pós isolamento social no contexto da covid-19

Unidade
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS
Subunidade
FACULDADE DE PSICOLOGIA
Coordenador
KAMILLY SOUZA DO VALE
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Resumo

A Organização Mundial da Saúde declarou, em Janeiro de 2020, a epidemia de Covid-19 como emergência pública de interesse internacional e, em 11 de Março, o surto de coronavírus 19 foi categorizado como pandemia, dado que os registros de casos já estavam presentes em todos os continentes (OPAS, 2020). No Brasil, a explosão da Pandemia iniciou em Março de 2020, obrigando as pessoas a fazerem o isolamento social e colocando as famílias dentro de casa. Além de apresentar um cenário de acúmulo de emoções, mudança de rotina, sentimentos de medo sobre o porvir, de ajustes acerca da preservação coletiva da vida e solidariedade. A partir do aumento exponencial do número de infecções, diversas medidas protetivas foram tomadas pelas autoridades, tais como o isolamento de condições gripais suspeitas, a identificação precoce de casos e o rastreamento e monitoramento de diagnosticados. Uma nova forma de interação social e trabalho precisou ser vivenciada. O trabalho remoto, as aulas on-line tornaram-se a forma possível de não paralisar a vida. No entanto, tais medidas repercutiram na forma como a casa era vivenciada pelos moradores dela. As famílias precisaram reconfigurar um campo familiar e o lar que era o lugar de moradia, passou a ser também, o local de trabalho, estudo e escola dos filhos. Estas novas configurações apresentaram diferentes consequências e repercussões aos grupos sociais. As mulheres, foco do presente estudo, sofreram as maiores repercussões em sua saúde mental desde o início da pandemia de Covid-19 no mundo. Outro dado significativo está relacionado aos índices de violência contra a mulher. Durante a pandemia de COVID-19, uma em cada quatro mulheres afirmaram ter sofrido algum tipo de violência, além do aumento significativo de notificações de violência doméstica (BUENO, 2021). Dessa forma, as análises feitas apontam como fatores agravantes o maior tempo de convivência com o agressor, a coexistência forçada entre casais, precarização e mitigação de programas de apoio às mulheres (creches, escolas, serviços de atenção) além da maior presença de gatilhos para a violência, como o medo de adoecer e o estresse econômico (CAMPOS, 2020; RODRIGUES 2020; BARROS 2020). Para além da sobrecarga de trabalho e aumento da violência, há também as repercussões da conjuntura pandêmica na saúde da mulher. O adoecimento relaciona-se tanto à maior exposição ao vírus, uma vez que a maioria dos profissionais de saúde são do sexo feminino, como no aumento dos índices de violência doméstica, gravidez indesejada e maior tendência ao adoecimento mental (SOUZA, 2021; BARROS, 2021; PINTO, 2020). Durante a pandemia, aumentaram os fatores de risco para o adoecimento psicológico feminino no isolamento, que segundo Souza (2020) relacionam-se a: Ser adulta jovem 18 a 29 anos (idade na qual vive-se uma maior expectativa social), residir em lugares com alta percentagem de infecção por Covid-19, fazer uso de medicamento psiquiátrico, ter vivido episódios antecedentes de ansiedade/depressão e estar desempregada. Para além dos agravantes presentes no cotidiano feminino pandêmico citados até aqui, se faz necessário a discussão acerca do maternar vivido em conjunturas de isolamento social e crise sanitária global. Como exemplo, no período da pandemia de COVID-19, as gestantes foram consideradas como um grupo de risco alvo de preocupações, pois as mortes causadas pelo vírus alcançaram níveis extremamente elevados, tais tornaram-se disparadoras de emoções intensas às mulheres, confirmado pelo estudo de Karaca et al (2022), quando concluiu após realizar uma análise que a pandemia de Covid-19 causou um estado de estresse e ansiedade em gestantes do mundo todo e quase a metade das participantes apresentou altos níveis de ansiedade o que interferia nos seus níveis de apego no período pré-natal. a experiência da maternidade demanda a solicitação, aceitação e a presença de uma rede de apoio. Esta rede nem sempre está estruturada da melhor forma, uma vez que um dos maiores entraves na construção da rede de apoio necessária ao processo de nascimento de um novo ser, é a não manutenção dos direitos básicos e das políticas públicas que prestam assistência às mulheres-mães e em situação de gravidez, ou até mesmo o desconhecimento desses direitos e políticas pelas mesmas. Assim, incluímos a todas estas demandas, as mulheres que são mães discentes e que precisaram conciliar seu maternar, as atividades de cuidados a casa e aos estudos acadêmicos. É fundamental refletir sobre como funcionou o ambiente universitário no formato virtual e como atualmente tem sido o processo de retorno as aulas presenciais. Verificar se tais espaços acolhem as discentes-mães que cuidam em suas diversas realidades, e como a relação entre universidade, maternidade e pandemia pode afetar a trajetória acadêmica, considerando as rotinas de estudos, aulas, pesquisa e interação com colegas e a saúde mental dessas mulheres. Reconhecendo que lidar com essa multiplicidade de tarefas geram sobrecarga e afetam a saúde mental. Deste modo o objetivo desta pesquisa é compreender quais as repercussões psicológicas na vida das mães-universitárias pós isolamento social no contexto da COVID-19.