As representações da branquitude na imaginação indígena (Amazônia, século X
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 10 - Redução das Desigualdades
Resumo
Esse projeto de pesquisa tem como objetivo principal analisar as representações da branquitude na imaginação indígena na Amazônia do século XIX. Partindo das análises de teóricos e teóricas negras sobre a branquitude e pensando essa categoria como posição de privilégios simbólicos e materiais (Du Bois, 1977 [1935]), analiso a violência da herança escravocrata sobre as pessoas indígenas, associada aos impactos positivos dessa mesma herança para as pessoas brancas (não indígenas). Muito embora fossem legalmente livres, as populações indígenas da Amazônia foram vítimas de escravização e de outras formas de trabalho compulsório nesse período. Atentando para a especificidade da questão indígena, proponho o conceito de indigetude, pensado como a prática de nomeação e denúncia do racismo praticado pela branquitude contra as populações nativas, contrapondo à violência colonial o ponto de vista indígena, o protagonismo dessas populações em sua diversidade e, ao mesmo tempo, em torno dos elementos comuns às suas lutas. Compreendo branquitude a partir das três dimensões apontadas por Ruth Frankenberg (1993): um lócus de vantagem estrutural, um ponto de vista e, por fim, um conjunto de práticas culturais que geralmente não são marcadas nem nomeadas. Faço uso da noção de representação a partir de Roger Chartier (1990), enquanto exibição de algo, como exteriorização de alguma coisa que existe ou que está no plano da imaginação, mas articulado com as práticas sociais. Nesse caso, trata- se de analisar como as populações indígenas da Amazônia no século XIX apresentavam ou simbolizavam a branquitude por meio de modelos, símbolos, linguagens ou outras formas de comunicação e como esses signos atuavam na prática social, de modo a fortalecer noções de poder e de identidade. Tendo como fontes principais os relatos de viajantes e documentos oficiais, pretendo demonstrar que homens e mulheres indígenas da Amazônia no século XIX viviam com a possibilidade de serem aterrorizadas pela branquitude e que esse contato aterrorizante se expressava através de sensações corporais reveladoras de traumas e dores inscritas no corpo (Fanon, 2008 [1952]; Mbembe, 2018).