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SEM CRISE, NEM ESTAGNAÇÃO: A ECONOMIA ESCRAVISTA DO CACAU NO PÓS-CABANAGEM (GRÃO-PARÁ, 1840-1870).

Unidade
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS
Subunidade
FACULDADE DE HISTORIA
Coordenador
JOSE MAIA BEZERRA NETO
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade

Resumo

Durante o o século XIX até as primeiras décadas do novecentos, o cacau esteve entre as principais commodities de exportação da região amazônica. Até meados do século XIX, foi a principal commodity amazônica, ocupando o primeiro lugar, tanto em volume de arrobas exportadas, quanto em valores negociados em mil-réis; depois, entre cerca de 1860 até 1912, o cacau veio a ser o segundo produto de exportação mais importante, dado o crescimento dos negócios da borracha; a partir do fim do chamado boom econômico da borracha amazônica, em 1912, até a década de 1930, o cacau passaria a ocupar a terceira posição na pauta das exportações amazônicas, vindo em primeiro lugar a castanha-do-Pará e, em segundo, a borracha. Contundo, a devida importância da cultura cacaueira na sociedade e economia da Província do Grão-Pará, ao longo do século XIX, mais detidamente a partir da década de 1840, no pós-Cabanagem, ainda tem sido pouco estudada pela historiografia, cujo foco tem sido a economia da borracha, principalmente entre 1860 e 1912, quando muito os engenhos de açúcar. É verdade que, para o período colonial, os estudos sobre o cacau já tem destaque na historiografia. Mas, adentrando o oitocentos, as análises acerca da economia cacaueira não são o foco privilegiado da história econômica ou social, apesar de “reconhecida” a sua importância. Ou seja, mesmo abordando a história econômica, ou da agricultura, ou, ainda, a da escravidão na região amazônica, tais estudos quando tratam do cacau o fazem como parte de um todo e não como foco de suas análises, e, quando fazem investigações mais pontuais basicamente limitam suas abordagens entre fins da década de 1840 até a de 1860, ainda que sem aprofundamento. Compreendendo, então, a importância da cultura do cacau no Grão-Pará, no oitocentos, associando sua investigação ao estudo da escravidão na região amazônica, com ênfase no período da pós-Cabanagem (movimento revolucionário que ocorreu de 1835 a 840), isto é, entre 1840 e 1870, antes do boom da borracha, se apresenta a proposta deste projeto, dando continuidade e se aprofundando o tema de investigação, crendo que, assim se faz necessário, para uma melhor compreensão da história social da Amazônia grã-paraense, incluindo a perspectiva econômica, uma vez que supomos como hipótese de estudo que coube à cultura do cacau papel importante e determinante na recuperação econômica da Amazônia devastada pela guerra revolucionária da Cabanagem, revendo a ideia consagrada na historiografia de que este período teria sido de crise e estagnação econômica, somente superada na década de 1870 com os negócios da borracha.