O agro-minero-negócio no sudeste do Pará: as estratégias de territorialização corporativa de empresas globais ligadas a produção de commodities
ODS vinculados
- 15 - Vida Terrestre
- 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes
Impacto na Amazônia
- Biodiversidade e Bioeconomia – Meio Ambiente
Resumo
O presente estudo analisa o processo de territorialização do agro-minero-negócio no sudeste paraense, particularmente nos municípios de Paragominas, Marabá, Parauapebas, Canaã dos Carajás e São Félix do Xingu, a partir da compreensão dos circuitos espaciais de produção e dos círculos de cooperação que estruturam a atuação de empresas globais vinculadas à produção de commodities agropecuárias e minerais destinadas, prioritariamente, ao mercado externo. Parte-se do entendimento de que a expansão dessas atividades constitui um dos principais vetores contemporâneos de reestruturação territorial da Amazônia, promovendo a implantação de infraestruturas estratégicas, a monopolização dos recursos territoriais e a intensificação de processos de desterritorialização de povos indígenas, comunidades tradicionais e camponesas, os quais constroem estratégias de r-existência por meio de mobilizações coletivas, disputas políticas e reivindicação de seus direitos territoriais. Nessa perspectiva, a pesquisa busca compreender as estratégias de territorialização implementadas pelos agentes econômicos hegemônicos, os conflitos socioespaciais decorrentes da expansão do agro-minero-negócio e suas implicações para a produção das desigualdades territoriais, para a conservação dos ecossistemas amazônicos e para a efetivação de mecanismos de justiça territorial e governança dos recursos naturais, estabelecendo interlocução direta com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, especialmente a ODS 10 (Redução das Desigualdades), ao evidenciar os processos de concentração fundiária, exclusão e desterritorialização; a ODS 15 (Vida Terrestre), ao analisar os efeitos da expansão das commodities sobre os territórios e ecossistemas amazônicos; e a ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), ao problematizar os conflitos territoriais, as disputas pelo acesso e controle dos recursos naturais e os desafios relacionados à garantia de direitos e à atuação das instituições públicas frente aos conflitos socioambientais. Para alcançar esses objetivos, a pesquisa adotará uma abordagem qualitativa, apoiada na revisão bibliográfica, análise documental de dados secundários produzidos por instituições públicas e privadas relacionadas ao agronegócio, à mineração, à estrutura fundiária e ao comércio exterior, complementadas por trabalho de campo nos municípios investigados, envolvendo observação sistemática, entrevistas semiestruturadas com representantes de empresas, instituições públicas, movimentos sociais e comunidades impactadas, além do uso de registros fotográficos, georreferenciamento por GPS e elaboração de cartografias temáticas, possibilitando interpretar as dinâmicas territoriais, os conflitos socioambientais e as estratégias de territorialização corporativa que conformam o atual processo de reorganização do espaço agrário amazônico.