Estudo da relação entre o índice glicêmico, medido através da hemoglobina glicada, com o carcinoma espinocelular de boca em um Serviço de Estomatopatologia do Estado do Pará
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
Resumo
O Diabetes Mellitus (DM) destaca-se no cenário global como uma doença crônica não transmissível (DCNT) caracterizada pela deficiência na síntese e/ou ação da insulina (VIEIRA et al., 2022). A hiperglicemia grave resulta em sintomas clássicos como poliúria, polidipsia, fadiga e queda de desempenho, perda de peso e aumento da suscetibilidade a infecções (HARREITER et al., 2019). A prevalência aumenta com a idade e tem como fatores de risco o desequilíbrio nutricional, sedentarismo, obesidade e hipertensão (FLORet al., 2017). Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o DM tipo 2 representa cerca de 90% de todos os casos de diabetes, sendo mais diagnosticado em pacientes mais velhos. Cerca de 527 milhões de pessoas no mundo foram diagnosticadas com diabetes no ano de 2021. O Brasil corresponde atualmente como a sexta nação com maior número de adultos diabéticos (15,7 milhões). Em 2045, estima-se que 23,2 milhões de pessoas sejam diagnosticadas com a doença no país. Por outro lado, outra DCNT de importante relevância para a saúde pública no Brasil devido à alta taxa de incidência e mortalidade é o Câncer. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que até o ano de 2025 haja cerca de 704 milhões de casos por ano no país. O câncer de boca corresponde ao quinto câncer mais comum em homens no Brasil, sendo o carcinoma espinocelular (CEC) o tipo de câncer mais prevalente em cavidade oral e orofaringe, equivalente a cerca de 90% de todos os cânceres que afetam essa região (PONTES et al., 2011). A associação entre o diabetes mellitus e o desenvolvimento de neoplasias malignas vem sendo estudada há décadas, principalmente para lesões no pâncreas e fígado, embora existam associações envolvendo também pacientes com câncer em mama, endométrio, bexiga e rins (WOJCIECHOWSKA et al., 2016). Considera-se que a relação entre as duas doenças ocorre devido à indução do metabolismo energético anormal e agressivo do câncer pela hiperglicemia sozinha ou em combinação com hiperinsulinemia, assim como pacientes que possuem níveis de glicose controlados apresentam um melhor prognóstico do câncer (SUPABPHOL et al., 2021). Devido à grande relevância do DM como problema de saúde pública no Brasil e a sua comum associação com pacientes com câncer de mama, câncer colorretal, câncer uterino câncer, câncer de fígado e câncer de pâncreas, mais estudos são necessários para o estabelecimento da ligação com o câncer de região oral e orofaríngea (WANG et al., 2020). Em vista disso, a proposta de identificar os níveis glicêmicos de paciente com diagnóstico visa diminuir as lacunas existentes sobre a relação entre as duas doenças