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Impactos climáticos e ambientais da UHE Belo Monte sobre a saúde da população do município de Altamira-PA (2010–2024)

Unidade
CAMPUS UNIVERSITARIO DE ALTAMIRA
Subunidade
FACULDADE DE MEDICINA/ALTAMIRA
Coordenador
ANTONIO CARLOS LIMA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Impacto na Amazônia

  • Biodiversidade e Bioeconomia – Meio Ambiente

Resumo

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, construída no Rio Xingu no Estado do Pará, figura entre os maiores empreendimentos de infraestrutura energética já executados no Brasil. Com capacidade instalada de 11.233 MW e investimento superior a R$ 40 bilhões, a usina é a maior hidrelétrica inteiramente brasileira e a terceira do mundo em potência. Desde a concessão da Licença de Instalação pelo IBAMA em 2011 e o início da operação em 2015, Belo Monte transformou de modo irreversível a paisagem, o regime hídrico do Xingu e o tecido social do município de Altamira. O reservatório formado — embora de área alagada relativamente contida (516 km²) se comparado a Tucuruí (2.875 km²) — provocou o remanejamento compulsório de milhares de famílias para as Unidades de Reassentamento Coletivo (URCs), suprimiu a vegetação ripária, interrompeu o fluxo de nutrientes do Xingu e modificou condições microclimáticas locais. Estudos em contextos amazônicos análogos demonstram que grandes reservatórios artificiais funcionam como fontes relevantes de gases de efeito estufa — sobretudo metano (CH₄) e CO₂ — derivados da decomposição anaeróbia da matéria orgânica submersa, com consequências sobre o clima local e regional. No âmbito da saúde coletiva, essas alterações ambientais produzem efeitos diretos e indiretos sobre os perfis de morbidade e mortalidade das populações. A modificação do habitat favorece a proliferação de vetores de doenças infecciosas — Anopheles (malária), Lutzomyia (leishmaniose) e Aedes aegypti (dengue, Zika, chikungunya). A degradação da qualidade da água, o colapso de sistemas de saneamento e a sobrecarga dos serviços de saúde decorrente do intenso fluxo migratório agravam indicadores de doenças de veiculação hídrica, mortalidade infantil e morbidades crônicas. A dissertação de mestrado do orientador (Lima, 2020) avaliou criticamente as medidas compensatórias do Plano de Saúde Pública (PSP) da UHE Belo Monte entre 2010 e 2019, documentando aumentos expressivos nas taxas de HIV, hepatites virais, sífilis congênita, causas externas e transtornos mentais durante a fase de obras. Essa lacuna — a ausência de análise integrada para o período pós-operação plena (2020–2024) — constitui a principal motivação científica e territorial desta proposta.