Condiloma acuminado oral em crianças: Relato de uma série de casos diagnosticados em um serviço de estomatopatologia do Estado do Pará.
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
- 4 - Educação de Qualidade
Resumo
Inicialmente o CA era considerado como uma manifestação cutânea de sífilis ou gonorreia (origem bacteriana); todavia, em 1907, experimentos de transmissão livre de células, por meio da implantação de fragmentos verrucosos em epitélio não contaminado, demonstraram o aparecimento de erupções papilomatosas nesses locais, comprovando a natureza viral da infecção (DAMIAN et al, 2021). O primeiro caso de condiloma oral foi relatado por Knapp e Uohara, em 1967, associados especialmente aos subtipos virais 2, 6, 11, 53 e 54 (DAMIAN et al, 2021; NEVILLE, 2016). O condiloma acuminado (CA) é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pelo HPV (papiloma vírus humano, família Papoviridae), representando uma das mais comuns de doenças sexualmente transmissíveis que podem afetar a população em geral (DAMIAN et al. 2021). As manifestações orais acometem principalmente a mucosa labial, palato mole e freio lingual, com formação de pápulas ou placas verrucosas, com morfologia plana, em couve-flor ou pedunculada, sendo em sua maioria assintomáticas, transmitidas por via sexual orogenital ou auto inoculação (NEVILLE, 2016; DAMIAN et al. 2021). Através demicrotraumas na pele e/ou mucosa anogenital e oral, o vírus alcança as células da camada basal, responsáveis pela renovação do epitélio eem seguida, o DNA viral se replica no núcleo das células infectadas, dando origem à lesão. O vírus possui o período de incubação de um a três meses. (LEÓN. et. al 2020) O diagnóstico é baseado no exame clínico, aspecto histológico e hibridização (identificação do subtipo de HPV). Microscopicamente, tem-se uma proliferação benigna de epitélio escamoso estratificado, com presença de acantose, queratose moderada, projeções papilares na superfície do estrato espinhoso e coilócitos na camada espinhosa superior (BETZ S.J, 2019; LEÓN. et. al 2020). Atualmente, os tratamentos disponíveis estão focados principalmente na remoção do tecido afetado (excisão cirúrgica conservadora) e agentes tópicos aplicados pelo paciente (imiquimod ou podofilotoxina), (PERCINOTO et al. 2014, NEVILLE, 2016). Em crianças, o reconhecimento de verrugas genitais ou orais, associadas ao CA, tem se tornado um problema de saúde pública, uma vez que grande parte das lesões diagnosticadas nestes pacientes configura violência sexual (PERCINOTO et al. 2014). Dessa forma, os cirurgiões dentistas precisam estar vigilantes quanto ao reconhecimento prematuro dessas lesões para informar os responsáveis legais e órgãos oficiais (Conselho Tutelar, preferencialmente à Equipe de Abuso Infantil), com intuito de interromper tais abusos (PERCINOTO et al. 2014).