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AVALIAÇÃO DO EFEITO CITOPROTETOR DE PRINCÍPIOS ATIVOS EXTRAIDOS DE PLANTAS DA AMAZÔNIA EM MODELO IN VITRO DE HIPÓXIA

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS DA SAUDE
Subunidade
FACULDADE DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL
Coordenador
CARLOMAGNO PACHECO BAHIA
Período
2024-08-01 a 2025-08-31
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar
  • 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
  • 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
  • 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
  • 14 - Vida na Água
  • 15 - Vida Terrestre

Resumo

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma alteração neurológica causada por uma lesão no sistema circulatório do encéfalo sendo classificado como: AVE hemorrágico, causado por ruptura de vasos ou AVE isquêmico, causado pela oclusão de artérias encefálicas por um evento tromboembólico (HANKEY, 2017; GOENKA et al., 2019). A fisiopatologia do AVE envolve a perda súbita das funções cerebrais e, consequente, deficiências motoras e cognitivas nos indivíduos afetados (LOPES, 2016). De acordo com relatório realizado pela Organização Mundial da Saúde, o AVE é a segunda maior causa de mortes no mundo (WOODRUFF et al., 2016). O AVE isquêmico (AVEi) corresponde aos casos predominantes, aproximadamente 87%, o equivalente a 6 milhões óbitos por ano (LOPES, 2016). No Brasil, segundo o último levantamento do Ministério da Saúde, 60 mil mortes foram registradas e 568 mil pessoas desenvolveram incapacidade em decorrência da doença (LOTUFO; BENSENOR, 2015). A isquemia cerebral é resultado da oclusão de artérias, ocasionando a diminuição ou perda total do fluxo sanguíneo no cérebro, causando grandes perdas no fornecimento de oxigênio e de glicose ao tecido cerebral (LAKNHAN et al., 2009). A isquemia envolve um conjunto de reações metabólicas que comprometem a homeostasia, a hemodinâmica e a bioquímica basal do encéfalo (SAKAI-SHICHITA, 2018). O desequilíbrio desses fatores resulta na morte neuronal, neuroinflamação, lesão neurovascular que resultam em graves sequelas neurológicas (ARUMUGAM et al., 2018). Após o infarto isquêmico, há o surgimento de duas áreas distintas: o núcleo isquêmico que corresponde a região do tecido nervoso na qual ocorre a morte celular imediata por eventos necróticos e a área de penumbra isquêmica, onde se manifesta vias de morte celular, geralmente por apoptose (BARBOSA, 2016; BACIGALUPPI et al., 2010). Na área de penumbra há um aumento da excitotoxicidade por via glutamatérgica, aumento na produção de espécies reativas de oxigênio (EROs), elevação do influxo de cálcio e ruptura da barreira hematoencefálica (BHE) (SAKAI; SHICHITA, 2018). Pesquisas farmacológicas visam desenvolver tratamentos capazes de diminuir os danos causados pelo AVEi. O ativador tecidual de plasminogênio (tPA) é o único agente terapêutico efetivo para o controle dos efeitos secundários após o infarto isquêmico (YANG et al., 2017). Entretanto, o seu tempo de ação é limitado, sendo indicado para um período máximo de até 48 horas após o acidente. Portanto, somente de 4-7% dos pacientes isquêmicos podem receber sua administração (YANG et al., 2017). A busca por novos agentes farmacológicos percorre pelos produtos naturais, predominantemente de plantas medicinais, por motivos históricos de uso tradicional e pela diversidade molecular com eficácia biológica e farmacológica (GURIB-FAKIM, 2006). Moléculas derivadas de produtos naturais com atividades antioxidantes se destacam como possíveis “agentes neuroprotetores” que poderiam combater o estresse oxidativo induzido pela isquemia e auxiliariam na proteção das células do tecido nervoso ameaçadas na área de penumbra após AVEi (MALEKI et al., 2017; BABADJOUNI et al., 2017). Nesse sentindo destacamos a espécie vegetal Endopleura uchi (Huber) Cuatrec, nativa da Amazônia e conhecida popularmente como "uxi-amarelo" ou "uxi-liso", sendo a casca tradicionalmente administrada na forma de chá para o tratamento de inflamações, tumores e infecções uterinas (SILVA et al., 2009). Estudos com essa espécie apontam atividades antiinflamatória, hepatoprotetora, anti- HIV e neuroprotetora (TAKAHASHI et al., 2003; FIRMO et.al., 2011; NAZIR et al., 2011; MUNIZ, 2013). Estudos fitoquímicos com extratos etanólicos brutos da casca de E. uchi identificaram a presença da bergenina, uma di-hidroisocumarina, a qual normalmente representa 3,19% da casca seca da planta (SILVA et al., 2009; SILVA; TEIXEIRA, 2015). A bergenina é o principal metabólito responsável pelas atividades biológicas, sendo as hidroxilas presente na estrutura da molécula considerados potencialmente ativos para atividade antioxidante (NAZIR et al., 2011; TACON; FREITAS, 2013)