Entre a máscara, a quimera e a ciborgue: inventar corpos insurgentes para desmontar políticas de morte
ODS vinculados
- 5 - Igualdade de Gênero
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
Resumo
Neste projeto, proponho a cartografia de um processo poético que se desenvolve entre o teatro e os estudos de gênero, os estudos das pós-humanidades e os estudos decoloniais. Escolhi um conjunto de noções e conceitos retomados a Wlad Lima (2004, 2014), Isa Trigo (2005, 2011), Iara Souza (2018), Donna Haraway (1991, 2009), Rosi Braidotti (2020), Maria Lugones (2018), Paul Preciado (2013), Michel Foucault (2008), Deleuze e Guattari (1980) que serão postos em diálogo ao longo de um processo criativo de uma dramaturgia pessoal (LIMA, 2004) em várias etapas, na qual o exercício de criação de uma máscara teatral (TRIGO, 2005) articulará tecnologias analógicas e digitais na invenção de um corpo de encenação híbrido, num jogo com as presenças real e virtuais desse corpo inventado em tempos pandêmicos, um corpo que recusa a representação de um sentido único e inegável, mas, ao invés disso, tateia a própria poética (SOUZA, 2018, p. 182), pondo em relação rizomática as narrativas pessoais da ancestralidade da artista, as teorias que dão suporte a esta pesquisa, a experiência da artista vivendo as complexidades da generificação do seu corpo ao longo da sua trajetória de vida e criação. A máscara aqui é instância de dramaturgia, ela conduz a escrita do texto e a inscrição do corpo nos espaços híbridos desta experimentação. Este projeto, portanto, é o da construção de uma máscara-ciborgue e da experimentação e cartografia das suas potências criadoras na cena, incluindo nesta o ambiente virtual. Ele aprofunda e atualiza um conjunto de questões que venho colocando nos últimos anos ao teatro, aos ativismos feminista e LGBTQI+, à teoria de gênero, à teoria queer e à cartografia deleuze-guattariana, bem como ao pensamento decolonial. Essas questões podem agora e provisoriamente ser resumidas numa única: Como manter vivas as potências do gozo, do desejo e da vida na invenção de uma poética cênica no contexto do capitalismo pós-industrial e do pós-antropoceno em tempos de pandemia a partir de um corpo generificado como feminino que habita um lugar multiplamente periférico?