Ordem-Desordem na Amazônia: paisagem e sociedade entre o território de exploração e a resiliência no desenvolvimento local das Ordem emergente
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 6 - Água Potável e Saneamento
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
Resumo
A Amazônia tem sido historicamente objeto de sucessivas intervenções promovidas pelo Estado brasileiro, que, sobretudo a partir do final do século XIX e ao longo do século XX, implementou políticas territoriais voltadas à integração econômica e à apropriação de recursos naturais. Essas ações contribuíram para a constituição de uma ordem territorial baseada na expansão da fronteira econômica, na apropriação de terras públicas, na exploração do trabalho e na transformação acelerada das paisagens naturais, produzindo múltiplas formas de desordem ambiental, social, política e econômica. Os resultados alcançados em pesquisas anteriores evidenciaram a estreita relação entre a expansão da pecuária, o desflorestamento, a concentração fundiária, a degradação ambiental e os déficits de saneamento, bem como demonstraram o papel estratégico das populações tradicionais na conservação da sociobiodiversidade amazônica. Tais resultados reforçam a necessidade de aprofundar a compreensão das dinâmicas contraditórias que estruturam o território amazônico e das possibilidades de emergência de formas alternativas de organização territorial. Dessa forma, esta pesquisa tem por objetivo compreender e demonstrar as diferentes manifestações materiais da relação OrdemDesordem na Amazônia, bem como identificar e caracterizar a Ordem Emergente a partir de sua materialização nos lugares, especialmente por meio de práticas associadas à conservação ambiental, ao uso sustentável dos recursos naturais e à defesa dos direitos territoriais. A metodologia adotada articulará abordagens qualitativas e quantitativas, integrando pesquisa documental, pesquisa bibliográfica, análise espacial e investigações de campo. O processo investigativo será orientado pela Dialética Materialista como método de interpretação da realidade e pela Teoria dos Geossistemas como referencial teórico-metodológico capaz de relacionar os fenômenos naturais e sociais em suas múltiplas escalas e interações. Como resultados esperados, pretende-se definir, caracterizar e dimensionar as expressões da Ordem, da Desordem e da Ordem Emergente na Amazônia, considerando fenômenos como a apropriação territorial, o desmatamento, a expansão agropecuária, a conservação da sociobiodiversidade, os conflitos socioambientais, o saneamento ambiental e as transformações da paisagem, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e para a formulação de estratégias de planejamento territorial e desenvolvimento sustentável na região.