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A produção social das percepções territoriais das juventudes periféricas da Terra Firme e suas potencialidades como conhecimento socialmente produzido para o planejamento urbano participativo.

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS
Subunidade
POS-GRADUACAO EM SERVICO SOCIAL
Coordenador
ELIZA MARIA ALMEIDA VASCONCELOS
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 10 - Redução das Desigualdades
  • 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis

Resumo

O projeto de pesquisa “A produção social das percepções territoriais das juventudes periféricas da Terra Firme e suas potencialidades como conhecimento socialmente produzido para o planejamento urbano participativo” tem como objetivo analisar as percepções territoriais de jovens moradores do bairro da Terra Firme, em Belém/PA, utilizando o Biomapa e a Cartografia Social como instrumentos técnico-operativos de produção social do conhecimento, visando subsidiar processos de planejamento urbano participativo e contribuir para a construção de políticas urbanas mais democráticas e inclusivas. A pesquisa parte do reconhecimento de que as cidades brasileiras, especialmente na Amazônia urbana, são produzidas sob a lógica da acumulação capitalista, reproduzindo desigualdades socioespaciais, raciais e ambientais que atingem de forma mais intensa as populações negras e periféricas. O bairro da Terra Firme expressa de maneira emblemática essas contradições, sendo marcado pela precariedade habitacional, insuficiência de infraestrutura urbana, vulnerabilidades socioambientais, estigmatização territorial e recorrentes situações de violência e exclusão social. Nesse contexto, as juventudes periféricas produzem leituras próprias sobre o território, elaborando conhecimentos sobre riscos, potencialidades, formas de pertencimento e estratégias de resistência que, em geral, permanecem invisibilizados pelos modelos tradicionais e tecnocráticos de planejamento urbano. A investigação fundamenta-se na perspectiva crítico-dialética e no método materialista histórico, compreendendo o espaço urbano como produto das relações sociais de produção, das desigualdades de classe, raça e território e das disputas pelo direito à cidade. Dialoga com as contribuições teóricas sobre produção social do espaço, questão urbana, racismo estrutural, juventudes e participação social, bem como com os estudos sobre Cartografia Social e produção compartilhada de conhecimentos territoriais. O projeto também se ancora no debate sobre a instrumentalidade do Serviço Social, compreendendo o Biomapa como tecnologia social e instrumento técnico-operativo capaz de articular as dimensões ético-política, teórico-metodológica e técnico-operativa da profissão. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, orientada pelos pressupostos da pesquisa participante. O estudo será desenvolvido com a participação de aproximadamente 30 a 40 jovens, com idade entre 15 e 29 anos, residentes na Terra Firme e vinculados a coletivos juvenis, grupos culturais, organizações comunitárias, movimentos sociais e outros espaços de participação territorial. Serão utilizados diversos instrumentos de produção de dados, tais como questionários socioeconômicos, observação participante, rodas de conversa, grupos focais, narrativas territoriais, oficinas de Biomapa e Cartografia Social e registros fotográficos participativos. As oficinas de Biomapa serão construídas de forma coletiva, utilizando mapas-base do território para identificação de áreas de risco socioambiental, equipamentos públicos, espaços de sociabilidade juvenil, áreas de violência, locais de exclusão e racismo territorial, espaços de pertencimento e potencialidades comunitárias. Os dados produzidos serão submetidos à Análise de Conteúdo, articulada à análise cartográfica e à triangulação metodológica entre narrativas, registros cartográficos, grupos focais e observações de campo, permitindo a compreensão das múltiplas dimensões que constituem as experiências territoriais juvenis. Entre os resultados esperados destacam-se a elaboração de um Atlas Participativo Juvenil da Terra Firme, a construção de um Biomapa Digital do Território, a produção de um Relatório Técnico destinado a subsidiar o planejamento urbano municipal, a elaboração de artigos científicos, de um trabalho de iniciação científica e de um manual metodológico sobre o uso do Biomapa como instrumento técnico-operativo do Serviço Social. Espera-se, ainda, demonstrar que o Biomapa e a Cartografia Social constituem instrumentos potentes para incorporar as percepções das juventudes periféricas aos processos de planejamento urbano, fortalecendo práticas democráticas de gestão da cidade, ampliando os mecanismos de participação cidadã e contribuindo para a produção de conhecimento crítico sobre juventudes, território, racismo e direito à cidade na Amazônia urbana.