Curupirações cênicas: poéticas de re-existência e regimes de colonialidade nas artes da cena na Amazônia
ODS vinculados
- 10 - Redução das Desigualdades
- 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes
Resumo
Este projeto se dedica a processos de criação enquanto pesquisa (ICLE, 2019). O foco recai no que venho reconhecendo como linhas de fronteira entre poéticas de re-existência e regimes de colonialidade. A renovação prevê um novo percurso, para os próximos dois anos, de pesquisas de processos de criação que tensionam, de diferentes maneiras, hierarquias epistêmicas, espirituais, raciais/étnicas e de gênero/sexualidade. Enquanto metodologia, estão previstos dois campos principais. O primeiro consiste em um grupo de estudos de ocorrência mensal, que reúne pesquisadores de diferentes níveis (iniciação científica, graduação, mestrado e doutorado) interessados na investigação de processos de criação situados em zonas re-existência e interseccionalidade. O segundo compreende o Laboratório Criaturas, território que abre ciclos de investigações em processos de criação centrados no corpo cômico em perspectivasdecoloniais amazônidas. A fim de nomear o que faço neste projeto em ressonância com pesquisas anteriores, aciono o termo curupiração, aqui elaborado a partir do trabalho que desenvolvo desde minha pesquisa de doutorado em Artes (FLORES, 2019). Em livre diálogo com Jones Dari Göettert (2006), a imagem força do Curupira, ente de histórias que se contam em comunidades tradicionais amazônidas, convoca espécie de virada epistêmica possível, fincada em meu trajeto de criação na e com as Amazônias enquanto território singular de experiência. Para este projeto, os pés virados do Curupira, sua gargalhada a ecoar na mata e sua traquinagem guardiã da floresta, que assusta e desnorteia os desavisados invasores, são imagens-força para um revirar do corpo, dos saberes; uma viração epistêmica que caminha com pés contrários aos regimes de colonialidade e que finca seus trajetos em território amazônida.