Expressão Gênica, Neuroinflamação e Progressão do Declínio Cognitivo Senil: Influência do Exercício e do Diabetes Tipo 2 em Ensaio Clínico e Experimental
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
- 10 - Redução das Desigualdades
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
- 14 - Vida na Água
- 15 - Vida Terrestre
Impacto na Amazônia
- Mudanças Climáticas – Sustentabilidade
Resumo
Já é conhecido que o desenvolvimento científico e tecnológico aplicado à área da saúde tem expandido a duração da vida e melhorado sua qualidade elevando a proporção de idosos na população. A manutenção das funções cognitivas que declinam durante o envelhecimento é, entretanto, essencial para a sustentabilidade funcional das populações idosas responsáveis no tempo presente por deslocamento demográfico substantivo (Seblova et al., 2020). Isso é particularmente preocupante para os países de renda baixa e média, para os quais as projeções demográficas estimam que em 2050, 80% da população com 65 anos estará concentrada na Ásia, América Latina e Caribe (Dogra et al., 2022). No Brasil seguindo a tendência mundial, o segmento populacional com idade de 60 anos ou mais é o que mais tem aumentado. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no período de 1950 a 2025, o grupo de idosos no país deverá ter aumentado em quinze vezes, enquanto a população total em cinco. A transição demográfica no Brasil tem se configurado como uma ação rápida e em um curto período, com um aumento acima de 4% ao ano da população idosa, atingindo 19,6 milhões em 2010, podendo chegar a 41,5 milhões em 2030 e 73,5 milhões em 2060. Para detalhes da estimativa, ver https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv93322.pdf. É importante considerar que diferentemente do que ocorreu nos países desenvolvidos, o processo de envelhecimento nos países ainda em desenvolvimento ocorre em meio a economias frágeis, elevados níveis de pobreza, desigualdade social e econômica e acessos limitados a serviços e recursos. Para informações detalhadas dessa assimetria, ver https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2559.pdf). A exceção dos momentos em que enfrentamos pandemias (e.g. a pandemia de COVID-19) onde há aumento significativo das mortes por doenças infectocontagiosas, essa transição epidemiológica que enfrentamos é caracterizada por um perfil de morbidade e de mortalidade onde há elevação das mortes por doenças crônicas não transmissíveis dentre as quais se destacam àquelas que conduzem ao declínio cognitivo e à demência, hoje estimados em mais de 57 milhões e com crescimento presumido que ultrapassará os 170 milhões em 2050 (Collaborators, 2022). Esse crescimento de deficiências cognitivas na população de idosos terá seus impactos econômicos agravados em todas as escalas individual, familiar e global (Niotis et al., 2022). Para revisão recente dedicada aos vários aspectos da transição demográfica para o envelhecimento da população e às doenças crônicas a ele associadas, ver (Corbett et al., 2018; Cai et al., 2022). De fato, as doenças neurodegenerativas que afetam o desempenho cognitivo dos idosos, quando se agravam, comprometem sua autonomia para realização das atividades da vida diária, ampliando os custos anuais para assistência aos dementes em cerca de cinco vezes, quando comparados aos idosos saudáveis (Maresova et al., 2020; Aranda et al., 2021). Por conta disso há em muitos países, um crescente interesse na prevenção do declínio cognitivo senil e na redução do risco de doenças neurológicas relacionadas à idade (Lipnicki et al., 2019). Para revisões recentes acerca das disfunções neuropsicológicas e as alterações encontradas nas escalas molecular, celular, sistêmica e comportamental, associando fatores de risco e ações preventivas ver (Ozawa & Miyazawa, 2021; Yu et al., 2021; Perus et al., 2022; Tung et al., 2022; Alfonsetti et al., 2023; Everly et al., 2023; Giustina et al., 2023).