TOLERÂNCIA E RESISTÊNCIA ÀS INFECÇÕES VIRAIS EM AVES MIGRATÓRIAS E MORCEGOS: MECANISMOS CELULARES E MOLECULARES
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
- 4 - Educação de Qualidade
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
- 14 - Vida na Água
- 15 - Vida Terrestre
Impacto na Amazônia
- Políticas Públicas – Apoio à Formulação
Resumo
Para nos anteciparmos às pandemias relacionadas à vírus é importante o conhecimento do microbioma viral (viroma) dos hospedeiros, particularmente em aves migratórias e morcegos. Análises genéticas combinadas da Ásia, Europa e América do Norte apontam consistentemente para um papel proeminente de aves selvagens e morcegos na disseminação de vírus. De fato, as rotas migratórias complexas e sobrepostas incluindo pontos de parada, invernada e de reprodução de aves selvagens proveem numerosas oportunidades para a disseminação de vírus. Da mesma forma, morcegos não adoecem quando infectados naturalmente ou experimentalmente por uma série de espécies virais, e tem sido especulado que podem ter sido a origem de diversas epidemias virais. Mesmo sendo escassa a informação sobre vírus que infectam aves migratórias na América do Sul, no território brasileiro em particular, há evidência de que aves migratórias e morcegos estão contribuindo para a dispersão de uma variedade de espécies virais de interesse epidemiológico. Nesta proposta é nosso objetivo prover uma análise comparativa do viroma encontrado em aves migratórias e morcegos capturados na região de Bragança (Pará) para preencher uma lacuna importante no estudo do potencial de epidemias, seu controle e prevenção, oferecendo um panorama mais acurado da dispersão de viroses e suas patogenias associadas. Buscaremos elucidar os mecanismos que permitem as aves e morcegos propagarem determinadas espécies virais, sem serem afetados, elucidando potenciais mecanismos celulares e moleculares da resposta imune associada à tolerância e resistência. Para tal pretendemos identificar: 1) as espécies virais carregadas pelas aves migratórias e morcegos, os mecanismos celulares e moleculares subjacentes a sua tolerância e resistência; 2) as espécies de aves migratórias e morcegos alvo de mosquitos hematófagos que devemos monitorar sistematicamente para vírus de interesse epidemiológico. Usando as sequencias de genoma viral obtidas das aves e dos morcegos, construiremos um banco de dados contendo as informações moleculares dos diferentes vírus encontrados. O tecido dos animais infectados e não infectados serão comparados e as diferenças nos vários tipos celulares e na morfologia celular serão quantificados. Por fim serão produzidas ferramentas para identificação rápida das diferentes cepas virais identificadas, realizaremos a expressão diferencial de genes de animais infectados e não infectados em diversos tecidos e faremos a correlação entre a presença de determinadas cepas virais com a morfologia e os quantitativos dos diferentes tipos celulares de cada tecido alvo. Isto permitirá a melhor visualização da dispersão permitindo um melhor planejamento de intervenções. A infraestrutura para o sequenciamento dos viromas e ensaios de metagenômica está disponível nos laboratórios (Laboratório de Biologia Molecular e Neuroecologia (LBN/IFPA), Laboratório de Microscopia Eletrônica (LME/IEC/MS), Laboratório de Neurodegeneração e Infecção (LNI/UFPA), Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do Instituto Evandro Chagas (SAARB/IEC), assim como a estrutura, equipamentos e pessoal qualificado para a identificação dos antígenos por imunohistoquímica, para quantificação de células por estereologia e de citocinas por citometria de fluxo. Também possuímos total capacidade de realizar o processamento dos dados in loco, utilizando cluster computacional construído para essa finalidade. Para acentuar a importância da aprovação das ações pleiteadas pela presente proposta, é útil destacar que nestes tempos de pandemias a Plataforma Intergovernamental em Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES) alerta para o risco potencial de transferência de mais 500.000 espécies virais, antecipando a necessidade deste tipo de investigação em todos os continentes.