MULHERES QUILOMBOLAS EM MOVIMENTO: o protagonismo feminino na organização social e política do território
ODS vinculados
- 5 - Igualdade de Gênero
- 10 - Redução das Desigualdades
Impacto na Amazônia
- Comunidades Tradicionais – Ações com Quilombolas
Resumo
A pesquisa objetiva analisar o protagonismo de mulheres quilombolas na organização política e social de seus territórios a partir de um estudo em dois estados brasileiros: Pará e Rio Grande do Sul, integrantes de duas Regiões: Norte e Sul. Para isso, problematiza a organização política de mulheres quilombolas e a luta pelo território tradicionalmente ocupado frente à ação do projeto colonial. Contudo, considera o fato de a colonização não se configurar apenas como uma investida do passado, pois atualizaa-se no tempo pela colonialidade do poder, do saber e do ser, levada a cabo pelas designações do sistema moderno/colonial. Muitos pesquisadores têm feito o esforço para mostrar o ativismo desses povos na formação dos Quilombos em África e em outros continentes que se valeram da escravização de africanos, porém, ainda bem poucos fazem menção ao ativismo das mulheres. Na última década, vem ocorrendo um crescimento destacável da participação de mulheres negras no movimento social, provocando a inserção de novas abordagens nos campos teóricos do feminismo que considerem, também, as especificidades das mulheres dos territórios tradicionais, como é o caso das mulheres quilombolas. Nesse sentido, interessa a pesquisa saber: que necessidades da preservação do território tradicionalmente ocupado têm impulsionado a participação de mulheres quilombolas a ponto de tornarem-se lideranças políticas dos seus territórios? Que estratégias de luta elaboram para reivindicar direitos? Que questões da luta pelo território e da identidade étnica se diferenciam e se assemelham no movimento de mulheres do norte e do sul do país? Como o Estado tem respondido às suas demandas? Tais questionamentos visam obter possíveis repostas por meio da interseccionalidade, ferramenta teórico-metodológica adotada por uma das vertentes do feminismo que tem se preocupado com as opressões sofridas pelas mulheres negras, mestiças, indígenas e periféricas do terceiro mundo. Este estudo, intersecciona os seguintes marcadores sociais de análise: gênero, raça e território. A pesquisa orienta-se pela abordagem qualitativa, vale-se dos instrumentais da entrevista narrativa e de formulários fechados e abertos. A intenção maior, portanto, é contribuir com a visibilidade das estratégias políticas das mulheres quilombolas para garantir direitos aos territórios tradicionalmente ocupados. Espera-se, assim, acrescentar novas perspectivas teórico-metodológicas aos estudos dos feminismos negro e interseccional e levantar questões que contribuam com as reflexões acerca dos feminismos latino-americanos, bem como do movimento social de mulheres em ambas as regiões.