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O FLUXO INTERNACIONAL DE TURÍSTAS E SEUS DETETRMINANTES: UMA ANÁLISE ECONOMÉTRICA DE DADOS EM PAINEL DO PERÍODO 2012-2021

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS
Subunidade
FACULDADE DE CIENCIAS ECONOMICAS
Coordenador
SHEILA BEMERGUY DE SOUZA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 8 - Trabalho Decente e Crescimento Econômico

Resumo

O reconhecimento de que o turismo pode ser implementado por governos e organizações com objetivo de amenizar as desigualdades econômicas entre regiões (DWIER; KIM, 2003), encontra obstáculos nas economias pouco desenvolvidas. Sua inserção no cenário turístico internacional (RODRIGUES, 2014) requer maior atenção, quando consideradas variáveis como a escassez de investimentos em infraestrutura física e social, refletidos nos baixos indicadores econômicos, sociais e ambientais por elas apresentados (SOUZA, 2023). Além disso, há que se considerar que o turismo de massa, estratégia adotada pela indústria do turismo para impulsionar a atividade após 1ª e a 2 ª Guerras Mundiais, tem impactos negativos significativos nos espaços onde se (re) produz (BUTLER, 1980; CROUCH; RITICHIE, 1999; PAIVA, 2003; RITICHIE; CROUCH, 2003, 2010). Esses podem ser agravados nas economias menos avançadas, cuja inserção no fluxo de viajantes internacionais as caracteriza como regiões receptoras, mas não emissoras (PAIVA, 2003). Isso remete à constatação de que há risco para os seus patrimônios histórico-culturais e histórico-naturais, e à necessidade de um planejamento voltado à atividade turística que atenda aos critérios de sustentabilidade (BUARQUE, 2004; BUTLER, 1980; CARLOS, 2002; CROUCH; RITCHIE, 1999; RITCHIE; CROUCH, 2010). Para que o turismo, assim como qualquer outra atividade produtiva, seja realmente desenvolvido em bases sustentáveis, há que se reconhecer que seu planejamento deve atender aos critérios do desenvolvimento local, humano e endégono, conforme descritos por Buarque (2004, p. 25-26) “ os espaços são integrados às relações internacionais de produção e consumo, manifestando a coexistência contraditória entre economias mais avançadas, as emergentes e as menos desenvolvidas [isso] faz com que as atenções se voltem para o desenvolvimento local, definido como [...] um processo endógeno de mudança, que leva ao dinamismo econômico e à melhoria da qualidade de vida da população em pequenas unidades territoriais e agrupamentos humanos. Para ser consistente e sustentável, o desenvolvimento local deve mobilizar e explorar as potencialidades locais e contribuir para elevar as oportunidades sociais e a viabilidade e competitividade da economia local; ao mesmo tempo, deve assegurar a conservação dos recursos naturais locais, que são a base mesma das suas potencialidades e condição para a qualidade de vida da população local. Esse movimento endógeno demanda, normalmente, um movimento de organização e mobilização da sociedade local, explorando suas capacidades e potencialidades próprias, de modo a criar raízes efetivas na matriz socioeconômica e cultural da localidade”. A comercialização dos espaços para lazer, naturais ou fictícios, é a dinâmica que sustenta a indústria do turismo em qualquer dimensão geográfica (CARLOS, 2002). Nesse contexto, as economias emergentes e as menos desenvolvidas, que vislumbram no turismo uma alternativa econômica rápida para reduzir seus déficits comerciais (WORLD TOURISM ORGANIZATION, 2019), se deparam com os impactos negativos da atividade em todas as suas dimensões. O desenvolvimento do turismo no longo prazo, e em bases sustentáveis, requer a ruptura com os padrões utilizados nas decádas de 60 e 70 (JAFARI,1994 apud LOHMANN, 2008; PAIVA, 2003), que priorizavam os aspectos econômicos da atividade em detrimento dos demais. Países que passaram a integrar o mercado turístico global sob essa perspectiva, além de não efetivarem a atividade como estratégia para a diversificação das suas bases produtivas, estabeleceram uma relação de dependência do turismo que resultou na ausência de endogeneização dos benefícios da atividade para os seus habitantes. A constatação de que a realocação de recursos pelo Estado para empreender o turismo nem sempre atende aos anseios de sustentabilidade econômica, social, ambiental e cultural, das regiões interligadas pelo fluxo do turismo internacional é uma realidade, que deve ser considerada por governos, planejadores, gestores e sociedade em geral ao ponderarem a relação entre custo e o benefício para empreendê-lo (BUTLER, 1980; PAIVA, 2003; RODRIGUES, 2002), Nesse contexto, o fenômeno turístico, reconhecidamente submetido aos padrões de uma sociedade de consumo, demanda a análise do turista internacional enquanto consumidor. Identificar as variáveis que determinam a escolha do consumidor turista por determinado destino em nível mundial é tomar conhecimento sobre as multiplas dimensões do turtismo, da sua abrangência e de seus impactos econômicos, sociais e ambientais em todos os contextos territoriais. Além disso, a identificação do perfil dos viajantes internacionais permite, entre outros fatores, inferir sobre o hiato que separa as economias avançadas, geralmente associadas aos destinos tradicionais, das emergentes e das menos desenvolvidas, assim como fornece aos formuladores de políticas públicas voltadas para o turismo e pesquisadores do fenômeno, informações que podem auxiliar na mitigação dos impactos nocivos da atividade nos diferentes destinos