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Caracterização morfofisiológica dos agentes causadores de cromoblastomicose.

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS BIOLOGICAS
Subunidade
FACULDADE DE CIENCIAS BIOLOGICAS
Coordenador
PATRICIA FAGUNDES DA COSTA
Período
2022-04-01 a 2026-04-01
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar
  • 4 - Educação de Qualidade
  • 10 - Redução das Desigualdades

Resumo

No Pará foram relatados 325 casos de cromoblastomicose (CBM) no período de 1942 a 1997. Nos anos de 2001 a 2017, mais de 150 casos foram registrados na Unidade de Referência Especializada em Dermatologia Sanitária Dr. Marcello Candia (URE- Marcello Candia), o que contribui para que o nosso estado seja a principal área endêmica do país e a segunda maior em prevalência no mundo, atrás somente de Madagascar. Recentemente foi recomendada pela Organização mundial da saúde a ser adicionada na categoria B das doenças negligenciadas NTD junto ao micetoma e outras micoses sistêmicas. As doenças negligenciadas (NTDs) são agrupadas em infecções que acometem indivíduos de baixa renda em países em desenvolvimento como a África, Ásia e América latina. A Organização mundial da saúde reconhece estas doenças como as consequências da pobreza e que contribuem para manter a pobreza nos indivíduos afetados. Os agentes etiológicos da CBM são seres sapróbios, podendo ser encontrado em substratos vegetais como Mimosa pudica e Orbignya phalerata Martius no solo em materiais em decomposição, pertencem a ordem Chaetothyriales, família Herpotrichiellaceae, apresentam biodiversidade entre os gêneros Fonsecaea, Phialophora, Cladophialophora, Rhinocladiella e Exophiala. A CBM é uma doença dermatológica de difícil tratamento caracterizada pela presença de estruturas arredondadas e escuras, as células escleróricas que são formadas em lesões polimórficas. Em pacientes atendidos na URE Marcelo Candia, três casos de lesões localizadas com aspecto papulomatoso, escamasos agrupados em lesão única de formato anular foi denominada de CBM cutânea localizada, esta caracterização clínica foi definida e sugerida por nosso grupo como uma nova classificação clínica. O diagnóstico da CBM é realizado pelo exame micológico direto, o qual se realiza a partir de material biológico obtido de raspagem cutânea, biopsia ou pus, clarificado com hidróxido de potássio 40%. A presença de células escleróticas define a doença. A doença possui um número baixo de casos clínicos notificados, que acreditamos ser bem menor do que o real, em razão da falta de acesso dos pacientes ao sistema de saúde. Atualmente, o tratamento é longo, atingindo em média 2 anos de utilização de drogas hepatotóxicas, além de baixa taxa de cura de menos de 30% dos casos. Os agentes causadores da CBM são fungos polimórficos, ou seja apresentam morfologia variadas para a mesma doença. Dados sobre a relação da morfofisiologia dos agentes e suas manifestações clinicas são escassos. A demostração da diferenciação celular dos agentes em diferentes substratos também são escassos. O conhecimento sobre os aspectos morfofisiológicos contribuem para o melhor entendimento da relação parasita-hospedeiro neste agravo tão significativo para nossa região.