← Voltar

ESTUDOS TAXONÔMICOS EM PENTATOMIDAE E SCHIZOPTERIDAE (HEMIPTERA) E TETTIGONIIDAE (ORTHOPTERA).

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS BIOLOGICAS
Subunidade
FACULDADE DE CIENCIAS BIOLOGICAS
Coordenador
JOSE ANTONIO MARIN FERNANDES
Período
2019-05-01 a 2025-09-30
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 15 - Vida Terrestre

Resumo

Após a descrição de Edessa por Fabricius (1803) muitos autores transferiram espécies deste gênero para dezenas de outros, inclusive de famílias distintas. A série de sinonímias feitas ao longo do tempo ampliou o conceito do gênero, levando a uma situação curiosa onde o conceito de Edessa passou a ser quase o mesmo de Edessinae. Como agente complicador desta situação Edessa possui cerca de 280 espécies conhecidas e mais de 300 espécies consideradas como novas para a ciência. Estes números impedem uma análise mais ampla do gênero e certamente “escondem” possíveis táxons supra-específicos. O desmembramento em gêneros menores pode ser bom para facilitar o estudo de Edessa, mas deve ser criterioso para evitar a formação de táxons não monofiléticos. Assim, Fernandes & Doesburg (2000a) propuseram a revisão de pequenos grupos de espécies que compartilham características que as distinguem das demais espécies do gênero (possíveis sinapomorfias). Tal visão também deve ser aplicada para os subgêneros, afim de avaliar sua condição dentro de Edessa e sua composição. Um desses subgêneros, Dorypleura, será reavaliado como parte deste projeto. Tal grupo foi tema do mestrado não publicado de um dos membros do grupo (Campos, 2010), mas a recente descoberta de espécies novas, os novos caracteres taxonômicos e a necessidade de publicar a revisão, tornaram o estudo do grupo uma prioridade novamente. Este grupo será revisado com a participação de Roland Lupoli dentro de uma linha nova de descrição da fauna de Edessinae da Guiana Francesa. A possibilidade de trabalhar com a fauna da Guiana Francesa levou o Museé National d’Histoire Naturelle, Paris, a conceder um auxílio ao autor do projeto por um período de um mês (julho de 2018). Durante este mês a coleção de Edessinae foi organizada e identificada até o nível de espécie. Dentre os cerca de 2400 exemplares analisados mais de 230 espécies foram identificadas, das quais 81 novas para a ciência. A coleção do Roland Lupoli possui mais de 1200 exemplares e cerca de 15 espécies novas de Edessinae não encontradas no MNHN. Assim, pelos próximos anos vamos descrever muitas espécies novas de coleções francesas, especialmente material da Guiana Francesa. O subgênero Hypoxys já foi alvo de revisão ainda não publicada. A diversidade do grupo é impressionante, pois possui 15 espécies conhecidas e mais de 40 novas para a ciência. A árvore filogenética resultante de uma análise cladística prévia mostra que Hypoxys agrupa com outros táxons (Paraedessa, Plagaedessa, Edessa (Pygoda) e alguns táxons novos) de forma bastante estável, embora com baixos valores de suporte. Tal situação persistiu em análises posteriores. Assim, decidimos fazer uma análise cladística de espécies de todos os táxons mencionados acima, envolvendo mais de 100 terminais. Tal análise prevê a dissecção e análise da genitália interna de ambos os sexos, algo pouco usado em Edessinae. Tal grupo tem como característica marcante a presença de ângulo lateral do pronoto (ângulo humeral) agudo, achatado e curto, não sendo maior do que a largura da cabeça. A análise que deu origem a essa proposta de trabalho foi recentemente enviada para publicação. O estudo deste complexo já resultou na descrição de Plagaedessa (Almeida et al 2018). O método cladístico, empregado pouco nesta subfamília, mostrou consistentemente em análises prévias que Edessa é um grupo polifilético. Após a publicação desses resultados esperamos uma grande mudança na visão de “Edessa”. O trabalho com Schizopteridae faz parte de um antigo desejo de retomar o estudo desse grupo no Brasil, após os trabalhos de Wygodzinsky feitos nos anos 40. Este trabalho será feito em parceria com a Dra. Christiane Weirauch e gerou como primeiro produto um capítulo do livro sobre Heterópteros Neotropicais (Weirauch & Fernandes 2015). Particularmente, este projeto tem como objetivo iniciar o estudo de Schizopteridae na Amazônia. Este projeto mais abrangente recebeu recursos do edital Universal (420294/2016-3) para coletas de Schizopteridae no Pará e estudo de material proveniente de diversos locais da Amazônia. O subgênero Zygophleps é pouco frequente em coleções, mas em análises prévias de material triado de diversas coleções por Weirauch e colaboradores, cerca de 15 morfoespécies desse subgênero foram coletadas em diversas localidades (Bolívia, Brasil, Costa Rica, Equador, Honduras, Peru e Suriname). Além da descrição de táxons novos, o estudo prevê uma análise cladística com base em dados morfológicos e moleculares de Zygophelps para tentar entender a posição desse subgênero dentro de Schizoptera e a relação entre suas espécies. Nos últimos anos a divulgação do conhecimento sobre a Entomologia brasileira e da região Neotropical ganharam um novo impulso com os livros Insetos do Brasil (Rafael et al. 2012) e True Bugs of the Neotropics (Panizzi & Grazia 2015). Recentemente a Dra. Jocélia Grazia convidou novamente para fazer parte da equipe de autores do capítulo de Hemiptera do Insetos do Brasil para a segunda edição do livro. O capítulo será ampliado e atualizado com mais figuras, chaves e dados mais aprofundados sobre os grupos. O conhecimento adquirido na participação no True Bugs of the Neotropics fazendo diferentes capítulos (Fernandes & Weirauch 2015, Weirauch & Fernandes 2015, Fernandes et al. 2015, Grazia et al. 2015) será importante nesse novo capítulo do livro que está sendo usado como referência em cursos de entomologia, em substituição aos antigos livros baseados em fauna da América do Norte. A taxonomia em Tettigoniidae é bastante confusa em alguns grupos. Na tribo Copiphorini de Conocephalinae existem quatro gêneros com problemas de identificação tanto a nível genérico quanto de espécies. Os gêneros Moncheca Walker, 1869; Vestria Stål, 1874; Montesa Walker, 1869 e Santandera Koçak & Kemal, 2008 exibem uma notável semelhança morfológica e, por consequência, historicamente vêm sendo apontados como gêneros relacionados (Hebard, 1926; Karny, 1912). Tal semelhança e carência de caracteres que definam os gêneros de forma satisfatória, vem causando dúvidas sobre em qual deles as espécies devem ser alocadas. Frente a esse fato, um estudo taxonômico mais criterioso se faz necessário. Esse, embasado em uma análise morfológica que utilize outros caracteres que vem sendo usados na taxonomia de Tettigoniidae de forma satisfatória para a separação de táxons, como a descrição do complexo fálico, o aparelho estridulatório dos machos (incluindo a lima atrofiada da asa direita) e caracteres morfométricos. Aliado a isso, existem pouquíssimas ilustrações das espécies pertencentes a esses quatro gêneros e quase nenhuma ilustração das estruturas taxonômicas mencionadas anteriormente, o que dificulta e muito a identificação das espécies. Os avanços tecnológicos têm proporcionado o surgimento de novas ferramentas que podem ser utilizadas para gerar caracteres taxonômicos. Aqui entra a espectroscopia do infravermelho próximo (NIR) como um possível método, uma nova ferramenta de alta resolução que gera uma grande quantidade de dados das espécies. Esse método tem como uma de suas vantagens não ser destrutivo o que permite a utilização de exemplares únicos ou até mesmo o tipo da espécie. O grande problema do uso do NIR para fins taxonômicos é a falta de padronização. Tal problema e a confusão taxonômica dentro dos gêneros mencionados acima, levou a proposição desse estudo com o uso de uma técnica inexplorada na taxonomia da ordem. Assim, para que os dados sejam comparáveis entre espécies dentro de Orthoptera, deve-se propor também uma padronização metodológica de coleta de espectros para a ordem. A medida que o conhecimento do NIR e utilização do equipamento se tornar mais familiar vamos expandir sua utilização para Pentatomidae e Schizopteridae e ver se os resultados contribuem para a separação das espécies e caracterização de gêneros e táxons supra genéricos. A participação da Dra. Ana Lúcia Gutjahr é fundamental na taxonomia de Tettigoniidae e no uso do equipamento. Assim ela será co-orientadora do Gustavo nesse estudo.