Adoção de Plataformas Digitais e Escoamento da Produção em Comunidades: Bioeconomia e Empreendedorismo Sustentável na Amazônia
ODS vinculados
- 1 - Erradicação da Pobreza
- 5 - Igualdade de Gênero
- 8 - Trabalho Decente e Crescimento Econômico
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
- 10 - Redução das Desigualdades
- 12 - Consumo e Produção Responsáveis
Impacto na Amazônia
- Biodiversidade e Bioeconomia – Cadeias Produtivas
Resumo
A execução deste projeto de pesquisa e intervenção justifica-se pela necessidade urgente de responder de forma prática e cientificamente robusta aos desafios de conservação e desenvolvimento que incidem sobre o bioma amazônico. Historicamente, as comunidades tradicionais e ribeirinhas enfrentam uma persistente invisibilidade estatística e uma crônica falta de incentivos e políticas públicas integradas que limitam severamente o potencial econômico e social de suas organizações. A estruturação de cadeias produtivas assistidas tecnologicamente ataca diretamente essas vulnerabilidades ao interconectar o desenvolvimento econômico local à justiça social, à segurança alimentar e à preservação ecológica. Sob o ponto de vista mercadológico e logístico, as comunidades tradicionais da Amazônia são frequentemente relegadas ao papel de meras fornecedoras de insumos brutos, capturando uma parcela ínfima do valor gerado na cadeia. (AZERÊDO, SOUZA, SOBRINHO, VASCONCELLOS, e BORGES, 2025). O fomento a implementação de uma plataforma digital colaborativa de e-commerce, customizada para as realidades de conectividade da região paraense, justifica-se como uma resposta direta a esse cenário de exclusão comercial. Ao eliminar os entraves logísticos e a histórica dependência de atravessadores, o projeto garante que a riqueza monetária gerada pela bioeconomia permaneça dentro do território, fortalecendo a autonomia financeira direta dos empreendedores e de suas famílias (OKADA et al., 2025; SANTOS et al., 2025). Ademais, a pesquisa justifica-se pela sua relevância científica e metodológica inovadora ao propor a Modelagem de Equações Estruturais (MEE) para avaliar o papel moderador do capital social na adoção de inovações digitais em comunidades tradicionais. A literatura demonstra que a eficiência e a resiliência das cadeias de valor da sociobiodiversidade dependem do enraizamento de normas de confiança e de cooperação horizontal. Através do uso de ferramentas digitais a pesquisa abre caminho para o crescimento e desenvolvimento econômico e para a rastreabilidade necessária para legitimar os produtos locais em mercados altamente exigentes, agregando valor ético e cultural aos produtos alocais. A dimensão social e de gênero confere ao projeto uma justificativa humanitária e política essencial. Ao focar estrategicamente na capacitação técnica em literacia digital e empreendedorismo social com uma meta explícita de inclusão de mulheres, a proposta atua diretamente no enfrentamento das desigualdades de gênero rurais, estabelecendo as mulheres produtoras como protagonistas da gestão da inovação e do manejo territorial. Essa liderança feminina consolida estruturas comunitárias mais equitativas e eficientes. Finalmente, a proposta justifica-se pela sua arquitetura institucional baseada em ecossistemas de inovação colaborativos e governança multipartes. A articulação sinérgica entre instituições de ensino e pesquisa (UFPA e parceiros internacionais), o setor público e as cooperativas locais permitem a conversão de saberes tradicionais ancestrais em ativos de mercado legítimos, promovendo o desenvolvimento de forma descentralizada e sustentável. A estruturação dessas redes de Ciência, Tecnologia e Inovação através de hubs descentralizados viabiliza o fluxo contínuo de informações científicas e de mercado, garantindo a manutenção soberana dos direitos das populações tradicionais e uma distribuição justa de benefícios que viabiliza, na prática, a manutenção da floresta em pé. Contudo, a introdução de inovações tecnológicas digitais em ecossistemas tradicionais não depende unicamente da infraestrutura técnica, mas sim da robustez do capital social e da capacidade de absorção local (VRONTIS, CHAUDHURI e CHATTERJEE, 2022). O capital social, originalmente discutido sob lentes sociológicas por Bourdieu (1980) e funcionais por Coleman (1988), é aqui compreendido como o conjunto de recursos reais e potenciais derivados das redes de relações horizontais, baseadas em normas de confiança e reciprocidade (NAHAPIET e GHOSHAL, 1998; MATIAS, 2022). No contexto das comunidades ribeirinhas do Pará, o capital social atua como uma variável moderadora crucial. Conforme evidenciado por VELOSO, MATIAS e SILVA (2024), a sinergia e os laços comunitários fortes reduzem os custos de transação e viabilizam ações coletivas voltadas à preservação ambiental e à ecoinovação. A transformação digital na bioeconomia emerge como uma extensão da Tecnologia Social (. A Tecnologia Social por sua vez é definida como o conjunto de técnicas e metodologias reaplicáveis, construídas coletivamente a partir da interação entre o conhecimento popular e o científico, visando à resolução de problemas sociais crônicos. De acordo com Matt et al. (2020) e Corsi et al. (2021) a adoção de plataformas digitais por microempreendedores em regiões periféricas transforma profundamente os modelos de negócios, mitigando a assimetria de informações e a dependência de atravessadores. No caso de Barcarena e Belém, a produção de sabonetes artesanais sofre com entraves de escoamento. O e-commerce, ao funcionar como uma infraestrutura socioeconômica digital, confere rastreabilidade e visibilidade à produção, agregando valor ético aos produtos da sociobiodiversidade (ROSÁRIO e RAIMUNDO, 2021). Dessa forma, o projeto estabelece que a ecoinovação entendida como a criação de processos e produtos ecológicos que minimizam impactos ambientais negativos (quando associada a ferramentas de governança digital e capacitação em empreendedorismo social, potencializa o desempenho comunitário. Diante desse cenário, propõe-se o seguinte problema de pesquisa: Em que medida a adoção de plataformas digitais de e-commerce e a capacitação em empreendedorismo sustentável influenciam o desempenho socioeconômico e a inclusão produtiva de comunidades tradicionais ribeirinhas na Amazônia, sob o efeito moderador do capital social local? Hipóteses de Pesquisa H1: O nível de capital social comunitário influencia positivamente a intenção de adoção e a sustentabilidade de longo prazo das tecnologias digitais de comercialização. H2: A adoção do aplicativo de e-commerce impacta positivamente o desempenho econômico familiar através da eliminação de intermediários comerciais. H3: Os ciclos de formação em bioeconomia e empreendedorismo social promovem a equidade de gênero e o fortalecimento da governança compartilhada nas comunidades ribeirinhas.