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A BIOECONOMIA DO AÇAÍ NO PARÁ: ENTRE A ACUMULAÇÃO CAPITALISTA E A REPRODUÇÃO SOCIAL DAS POPULAÇÕES LOCAIS (2010-2025)

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS
Subunidade
FACULDADE DE ADMINISTRACAO
Coordenador
EDIR VILMAR HENIG
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 1 - Erradicação da Pobreza
  • 2 - Fome Zero e Agricultura Sustentável
  • 8 - Trabalho Decente e Crescimento Econômico
  • 10 - Redução das Desigualdades
  • 12 - Consumo e Produção Responsáveis

Impacto na Amazônia

  • Biodiversidade e Bioeconomia – Cadeias Produtivas

Resumo

As crises climáticas contemporâneas frequentemente são atribuídas de forma genérica à ação humana, mas a tradição marxista, representada por autores como Malm (2016) e Saito (2024), argumenta que a degradação ambiental decorre das contradições inerentes ao modo de produção capitalista, expressas na “fratura metabólica” entre sociedade e natureza. Essa ruptura atinge desproporcionalmente os países periféricos, enquanto os benefícios da acumulação concentram-se no Norte global. Nesse contexto, a Amazônia tornou-se espaço estratégico para discursos de sustentabilidade e desenvolvimento verde, nos quais a bioeconomia é apresentada como alternativa sem questionar as estruturas capitalistas geradoras da crise. O artigo toma o açaí como objeto de investigação privilegiado: fruto nativo historicamente central na alimentação e reprodução social das populações paraenses (classes trabalhadoras urbanas, ribeirinhas e extrativistas). A partir da década de 2000, sobretudo entre 2010 e 2025 – recorte temporal da pesquisa –, o açaí foi crescentemente inserido nas cadeias globais de acumulação como commodity e superalimento funcional, com preços muito superiores nos mercados externos (Europa, América do Norte, Ásia) em relação aos circuitos populares locais. O artigo investiga criticamente como a expansão da bioeconomia amazônica reorganiza relações de produção, consumo e circulação, produzindo escassez relativa e encarecimento do açaí para a classe trabalhadora paraense, bem como novas formas de expropriação legitimadas por discursos institucionais que associam sustentabilidade, empreendedorismo verde e responsabilidade ambiental à acumulação de capital. Diante disso, analisam-se os efeitos sobre a alimentação cultural local e as formas de resistência social emergentes.