PERFIL EPIDEMIOLÓGICO, AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO BETA RESIDUAL E PERSISTÊNCIA DE AUTOANTICORPOS PANCREÁTICOS EM PACIENTES COM DIABETES MELLITUS TIPO 1
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
Resumo
O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) é uma doença crônica autoimune caracterizada pela destruição das células β pancreáticas, resultando em deficiência de insulina e necessidade de tratamento contínuo. Embora tradicionalmente associado à perda completa da função pancreática, evidências recentes demonstram que parte dos indivíduos pode manter secreção residual de insulina por muitos anos após o diagnóstico. Além disso, a persistência de autoanticorpos pancreáticos e a heterogeneidade clínica observada entre os pacientes indicam que a evolução do DM1 é mais complexa do que se acreditava anteriormente. Nesse contexto, o presente projeto tem como objetivo avaliar o perfil epidemiológico, a função β-pancreática residual e a persistência de autoanticorpos em pacientes com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1 acompanhados em serviço especializado. A pesquisa buscará caracterizar aspectos clínicos, laboratoriais e sociodemográficos desses indivíduos, bem como investigar a presença de secreção residual de insulina e sua relação com desfechos clínicos relevantes. Trata-se de um estudo observacional, transversal, analítico e descritivo, a ser realizado no Serviço de Endocrinologia do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB/UFPA), em Belém do Pará. Serão incluídos pacientes com diagnóstico de DM1 em acompanhamento regular, de ambos os sexos e diferentes faixas etárias. Os dados serão obtidos por meio da análise de prontuários, entrevistas, avaliação clínica e exames complementares. Os participantes serão submetidos à coleta de informações clínicas, antropométricas, laboratoriais e sociodemográficas, incluindo avaliação de complicações do diabetes, doenças autoimunes associadas, composição corporal por bioimpedância, elastografia hepática transitória (FibroScan®) e exames laboratoriais abrangentes. Entre os principais marcadores investigados destacam-se os níveis de peptídeo C basal e estimulado por teste de refeição mista, utilizados para avaliar a função β residual, além da dosagem de autoanticorpos pancreáticos, como anti-GAD, anti-insulina, anti-ilhota e anti-IA2. Os dados obtidos serão analisados por métodos estatísticos apropriados para identificar associações entre características epidemiológicas, função β residual e persistência da autoimunidade. Espera-se que os resultados contribuam para ampliar o conhecimento sobre a heterogeneidade do DM1 na população brasileira, favorecendo a compreensão da história natural da doença e fornecendo subsídios para estratégias de acompanhamento e tratamento mais individualizadas. Além disso, o estudo poderá gerar informações relevantes sobre fatores associados à preservação da função pancreática e à persistência da resposta autoimune em pacientes com longa duração da doença.