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Mamas densas na pós menopausa: evolução dos eventos mamográficos surgidos na mulher acima de 65 anos.”,

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS MEDICAS
Subunidade
FACULDADE DE MEDICINA - FAMED/ICM
Coordenador
FRANCIANNE SILVA ROCHA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Resumo

A transição menopausa-envelhecimento acarreta profundas modificações com o passar dos anos na arquitetura mamária. Fisiologicamente, a senescência ovariana promove uma acentuada queda nos níveis circulantes hormonais de estrogênio e progesterona, resultando na involução lobular crônica e na progressiva lipo-substituição do parênquima mamário (BOYD et al., 2021). Sob a perspectiva radiológica, esse fenômeno converte parênquimas densos (radiopacos) em tecidos predominantemente adiposos (radio lúcidos), o que otimiza substancialmente a sensibilidade diagnóstica da mamografia convencional (KERLIKOWSKE et al., 2022). Contudo, estudos epidemiológicos atuais demonstram que uma parcela significativa de mulheres na pós-menopausa avançada (acima de 65 anos) apresenta uma persistência atípica do padrão de mamas densas (categorias C e D do sistema BI-RADS), caracterizado pela predominância de tecido fibroglandular sobre o componente adiposo (MCCORMACK; DOS SANTOS SILVA, 2020). Esta condição atua de forma dicotômica na oncogênese mamária: primeiro, exerce o chamado "efeito de mascaramento", ocultando lesões malignas iniciais que compartilham da mesma radiopacidade do parênquima adjacente; segundo a densidade mamária elevada configura-se, isoladamente, como um fator de risco independente e de forte magnitude para o desenvolvimento do câncer de mama (KERLIKOWSKE et al., 2022.). Paralelamente, o microambiente mamário sofre influência direta de fatores de estilo de vida moduláveis. A obesidade pós-menopausal, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo de álcool correlacionam-se de maneira direta com a manutenção de um status inflamatório crônico de baixo grau (WORLD CANCER RESEARCH FUND, 2021). O tecido adiposo periférico disfuncional exacerba a expressão da enzima aromatase, elevando a síntese local de estrogênios e ativando citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α e IL-6). Esse estímulo mitogênico contínuo induz alterações proliferativas epiteliais e bloqueia a apoptose glandular fisiológica, justificando a persistência biológica das mamas fibroglandulares em idosas e o consequente incremento do risco de carcinogênese (WORLD CANCER RESEARCH FUND, 2021; INCA,2024) Diante desse cenário e considerando o expressivo envelhecimento populacional na Região Norte, faz-se imperioso investigar de maneira assídua, responsável e eficiente o perfil clínico radiológico desse grupo específico no Estado do Pará, mapeando de que forma as variáveis omportamentais se associam às opacidades teciduais e aos desfechos proliferativos.