SUSTENTA E INOVA
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
- 14 - Vida na Água
- 15 - Vida Terrestre
Impacto na Amazônia
- Biodiversidade e Bioeconomia – Meio Ambiente
- Mudanças Climáticas – Mudanças Climáticas
Resumo
Durante os anos de 2008 a 2019, cerca de 70% do desmatamento na Amazônia ocorreu no interior de imóveis rurais, sendo que uma parcela significativa da perda de cobertura florestal ocorreu nas pequenas propriedades. Isso é conhecido como desmatamento social ligado à produção familiar. Nos últimos 12 anos, pequenos imóveis rurais, situados dentro ou fora de projetos de assentamentos, foram responsáveis por cerca de 37% do desmatamento total na Amazônia (conforme mostram estudos do IPAM). A perda maciça de cobertura florestal representa uma ameaça à produção agropecuária da região, principalmente à agricultura. De acordo com Machado Filho et al. (2016), o aumento da temperatura na região norte e a redução das chuvas podem produzir impactos negativos à produtividade agrícola e, consequentemente, à segurança alimentar das famílias produtoras e dos consumidores. Por isso, é necessário aumentar a resiliência dos sistemas produtivos por meio de práticas sustentáveis de uso do solo e reduzir a intensidade dos efeitos climáticos na região. A motivação do pequeno produtor rural, que busca na abertura da floresta nativa uma oportunidade de subsistência, está intimamente relacionada às péssimas condições socioeconômicas verificadas na região: baixa disponibilidade de recursos financeiros, dificuldade de acesso a linhas de crédito, carência de assistência técnica especializada, insuficiência de insumos produtivos e limitada capacidade de agregar valor à própria produção. O ciclo de ocupação da terra é tradicionalmente conhecido 21 e consiste em uma sequência de corte da vegetação natural, queimada, cultivo ou formação de pasto, pousio (período de repouso da terra) e, por fim, nova queimada que marca o recomeço do ciclo produtivo. Como resultado deste processo, verifica-se progressiva perda de fertilidade do solo e redução da produtividade, de modo que, em poucos anos, tende-se a abandonar as áreas de cultivos em busca de novas áreas (abertura de floresta nativa). A degradação é uma trágica consequência da má utilização dos recursos naturais, que tem criado um ciclo degradante no qual: O produtor rural ou homem da floresta, limitado pela baixa produtividade e pelo baixo valor agregado de sua atividade, não gera renda suficiente para alcançar uma qualidade de vida adequada; Progressivamente empobrecidos, estes produtores buscam a ampliação de áreas produtivas, optando pelo desmatamento da floresta; No curto e médio prazo, as áreas desmatadas perdem produtividade e o desmatamento produz efeitos negativos sobre as mudanças climáticas, influenciando significativamente a regularidade do regime de chuvas; O consequente desequilíbrio ambiental e o desgaste dos recursos naturais, inclusive dos solos, tornam as atividades ainda menos produtivas, ameaçando a segurança alimentar da população; A utilização de práticas e tecnologias inadequadas contribuem para a aceleração do processo de degradação dos recursos naturais e para a redução da produtividade; À medida que este ciclo degradante de produção se repete, as pressões sociais e ambientais tornam-se cada vez mais desfavoráveis. Em traços gerais, a ação Sustenta e Inova busca romper (ou ao menos enfraquecer) um importante componente do elo causal descrito anteriormente no ciclo degradante, por meio de estímulos as atividades produtivas (socialmente inclusivas e ambientalmente sustentáveis) que propiciem maior geração de renda à população local. Consequentemente, a expansão da fronteira agrícola rumo às florestas desaceleraria. Ao contribuir com a redução do desmatamento, o projeto auxilia o país no cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) ao Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas.