A CARTILHA DO SENHOR IMPERADOR: INSTRUÇÃO PÚBLICA E CULTURA POLÍTICA NO BRASIL REGENCIAL
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
Resumo
Como se chama Vossa Majestade Imperial? Com esta primeira pergunta, o paraense Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente (1794-1866) iniciava uma cartilha, destinada a servir ao ensino de D. Pedro II (1825 1891). Durante a Regência do Império brasileiro, especificamente no ano de 1838, ele solicitou ao tutor do Imperador, o Marquês de Itanhaém Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho (1782-1867) , o emprego de mestre do jovem monarca (a completar 13 anos no dia 02 de dezembro daquele ano), por meio da realização de um concurso público. Produziu para este fim uma obra, a "Cartilha Imperial para uso do Senhor D. Pedro II" com o intento de conseguir o posto almejado. O diálogo direto entre Patroni e o Imperador possui 122 páginas, em sua segunda edição, 74 perguntas e 72 respostas, distribuídas em oito (08) capítulos. Para compreendê-lo, é fundamental inquirir o que propunha Filippe Patroni para a educação do monarca, bem como para os demais leitores de seu tempo; como está organizado, quais os conteúdos e referências foram selecionados e apresentados, quais outras obras estão relacionadas à Cartilha Imperial, bem como situá-la diante do debate acerca da Instrução Pública no Brasil e formação para a cidadania. Discutir essas questões à luz do turbulento momento regencial brasileiro descortina uma série de preocupações e projetos formulados para a construção de uma Nação no recente Estado independente, que ainda experimentava as incertezas na condução de sua sociedade, repleta de muitos interesses políticos.