Caminhos internos: escravidão e reprodução demográfica no Grão-Pará oitocentista (1810-1888)
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
- 14 - Vida na Água
- 15 - Vida Terrestre
Resumo
A relevância econômica e social da escravidão negra na Amazônia é um fator que tem permeado as mais diversas leituras empreendidas sobre a formação histórica da região dos estudos clássicos elaborados na segunda metade do Oitocentos à historiografia contemporânea. Desde a sua completa desconsideração a uma noção de uma perda de importância prematura, a participação dos escravos na economia do Pará oitocentista permanece numa zona de opacidade na historiografia. A partir da análise serial de inventários post-mortem e outras fontes, o projeto tem como objetivo revisitar a compreensão do escravismo paraense entre 1810 e 1888, através do exame de dois dos elementos basilares da economia e da demografia da escravidão: a estrutura da posse de cativos e a família escrava. Haja vista a existência de um mútuo condicionamento entre a economia e a demografia da escravidão, buscamos investigar como a reprodução endógena dos escravos representou um elemento primordial para a manutenção da importância econômica da escravidão no Grão-Pará, ao longo de todo o século XIX, pelo menos nos casos das três regiões paraenses ora privilegiadas: Belém, capital e principal núcleo urbano, e Baixo Tocantins e Zona Guajarina, que constituíam um dos principais cinturões agroextrativistas da capitania e depois província do Grão-Pará.