Laboratório de Práticas Pedagógicas de Educação Étnico-racial da EA-UFPA (LAPPEER): formando sujeitos antirracistas no chão da escola
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 10 - Redução das Desigualdades
Impacto na Amazônia
- Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários
- Comunidades Tradicionais – Ações com Quilombolas
- Biodiversidade e Bioeconomia – Meio Ambiente
Resumo
O Laboratório de Práticas Pedagógicas de Educação Étnico-racial da EA-UFPA (LAPPEER) é formado por um grupo de professores/as de diferentes disciplinas do Ensino Médio da Escola de Aplicação da UFPA, que desenvolvem experimentos de pesquisa e extensão nas seus campos de atuação a fim de promoverem a intervenção pedagógica no campo da Educação para as relações étnico-raciais. Objetiva fortalecer o ensino das relações étnico-raciais e contribuir com o processo formativo antirracista no âmbito da UFPA, na Educação Básica e na sociedade de modo geral. O LAPPEER está lotado na Escola de Aplicação da UFPA, tendo sido um desdobramento de 14 anos de atuação do Projeto Cartografia da Cultura Afro-brasileira e Indígena da EAUFPA. O Cartografia foi criado em 2011 e já formou mais de mil estudantes da escola na linha da Educação Antirracista. Conta com a participação da comunidade interna e externa da EAUFPA (professores, técnicos, estudantes da graduação, estudantes da pós-graduação em educação, militantes e ativistas do movimento negro de Belém). O LAPPEER surgiu em 2021 imbricado no Cartografia. Enquanto o Projeto Cartografia faz suas ações no interior da EA, fortalecendo os/as estudantes negros/as e pardos tanto no combate ao racismo como para insurgência contra toda forma de discriminação e opressão; o LAPPER faz o trabalho de formação continuada a partir das pesquisas com estudantes da graduação, pós-graduação e professores da rede pública de ensino. A contar das experiências acumuladas, das pesquisas sobre um ensino para a configuração de novas relações étnico-raciais para o tempo presente, pretende-se constituir um laboratório de fomento de tecnologias antirracistas em todas as áreas de ensino. A interdisciplinaridade na perspectiva da ecossistemas de aprendizagens, o currículo insurgente, a interculturalidade e a democratização do conhecimento formam o eixo estruturante do LAPPEER. Em 2015 o projeto foi premiado no Edital Juventude Negra do Instituto Baobá e em 2018 a dissertação de mestrado da autora do projeto e que trata da pedagogia do Cartografia, recebeu menção honrosa no Edital Melhor Dissertação do PROFHISTÓRIA CAPES. Os experimentos didáticos elaborados pelo Cartografia têm sido transformados em artigos publicados em revistas especializadas, sites e jornais e em 2020 foi ditado o livro Cartografia da Educação étnico-racial na educação básica uma experiência de ensino antirracista, no qual a metodologia exitosa do projeto é estudada e divulgada nacionalmente. O Cartografia a cada ano tem produzido cerca de 5 a 10 produtos educacionais na linha da interculturalidade e antirracista em diferentes áreas do conhecimento escolar. Desse modo mais de 100 artefatos educacionais já foram desenvolvidos pelo Cartografia ao longo desses quatorze anos, Como exemplo desses produtos educacionais temos o blog Pano pra Manga, que traz os resultados das pesquisas sobre a cultura musical afro-brasileira e brinquedos africanos. O livro de Contos Indígenas e africanos Deixa eu contar. A exposição fotográfica e documental da Igreja do Rosário dos Homens Pretos em Belém, um patrimônio negro da capital e o vídeo História, memória e meio ambiente da Comunidade quilombola de Jacarequara no Acará no Pará. Para 2025 estaremos com 4 grupos de pesquisas com os estudantes, todos produzindo didáticas interculturais e na perspectiva dos ecossistemas de aprendizagens, desenvolvidos ao longo do ano letivo, cuja uma das culminâncias a XIV Mostra de Trabalhos do Projeto. Os temas para o corrente ano será: Tecnologias ancestrais: o ensino da Biologia e da Física ancorados em conhecimentos tradicionais das Amazônias, Epistemologias silenciadas: mulheres negras e filósofas na história do pensamento, Jogos africanos aplicados a matemática e A black music norte-americana na luta pelos direitos civis nos anos 60. A pedagogia antirracista do LAPPEER desenvolvida na EA-UFPA que é também uma metodologia interdisciplinar tem se tornando um campo de estágio para graduandos e pós-graduandos de diferentes áreas da UFPA e de outras faculdades, bem como um locus de formação qualificada para professores da rede pública. Outra ampliação do projeto, tem sido a ação extensionista nas comunidades quilombola de Macapazinho em Santa Isabel (2012 e 2013) e em Jacarequara, no Acará desde 2014 até 2024, o que pretende continuar no ano de 2025 e 2026. Em função de um acervo com mais de setenta (70) cursos, palestras e oficinas ministradas pelo Cartografia/ LAPPER ao longo de mais de uma década de atividades, elencamos algumas abaixo, devido os limites que nos impõe o sistema de cadastro do presente edital. Objetivando demonstrar um novo currículo escolar como resultado da pesquisa na EA-UFPA. 1- Grupos de pesquisa com o alunado do ensino médio: - Curso de história da África no período Moderno. (Disciplinas envolvidas História e Geografia) - Cursos Literatura e Descolonização em África: Angola e Moçambique. (Disciplinas envolvidas Literatura e Língua Portuguesa) - Curso de narrativas indígenas e africanas para educação Básica. (Disciplinas envolvidas História, Literatura e Língua Portuguesa) - Oficina de confecção de tambores, berimbau e maracá. (Disciplinas envolvidas Física, História e o coletivo Casa Preta em Outeiro e o indígena guarani e antropólogo Dr. Almires Martins) -Educação patrimonial e os lugares de memória do Tráfico Atlântico equatorial na Amazônia. (Disciplinas envolvidas Artes Visuais e História) - História, memória e meio ambiente de Jacarequara um quilombo na Amazônia. (Disciplinas envolvidas Geografia, História e as lideranças da comunidade de Jacarequara) - Capoeira: a defesa do negro na Amazônia. (Disciplinas envolvidas educação Física, História, Filosofia e o grupo de capoeira de angola da Terra Firme) - A história do Carnaval e a cultura afro-brasileira em Belém. (Disciplinas envolvidas Artes Visuais e História) - Um canto pela liberdade: a black music e a luta pelos direitos civis nos EUA nos anos 60 e 70. (Disciplinas envolvidas Artes Musicais e História) - O corpo negro: Memória e Resistência. (Disciplinas envolvidas Biologia e Filosofia e uma professora de maquiagem, militante do movimento da Terra Firme) - A origem negra e periférica da guitarrada em Belém. (Disciplinas envolvidas Sociologia e História e músicos paraenses) A pintura corporal indígena: História, Memória e Cosmologias (Disciplinas envolvidas História, Artes Visuais e Filosofia e o indígena guarani e antropólogo Dr. Almires Martins) 2- Cursos, oficinas e palestras com público externo a EA-UFPA: - Relações Étnico-raciais no que se come na Amazônia. Palestra proferida no Curso de Nutrição associada à Semana da Consciência Negra. ( 2016) - Blog Pano pras Mangas: um artefato étnico-racial na disciplina Língua portuguesa. Palestra proferida na XXI Feira Pan-Amazônica do Livro. (2017) - Experiências de Implementação da Educação para as relações étnico-raciais e educação quilombola no Pará. Palestrante de mesa no VII Seminário do Grupo d Pesquisa de saberes e práticas educativas de populações quilombolas/ EDUQ. (2018) - Oficina Aplicação das lis 10.6392003 e 11.645/2008 na prática educacional. Seminário nacional de inclusão, acessibilidade e diversidade da UFPA. (2019) - Ateliê de história: a educação para as relações étnico-raciais e o ensino de história. II Encontro Guamaense de história na UEPA. (2019) - A questão afro-indígena na América latina: resistências, cultura e representatividade. Palestrante na mesa no II encontro Guamaense de estudantes de história na UEPA(2019) - Práticas e representações de educação intercultural na EA-UFPA: a experiência do Projeto Cartografia Afro-brasileira e Indígena no 9º Encontro Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, realizado na Universidade Federal de Santa Catarina. (2019) - Questões étnico-raciais no contexto educacional na Semana Pedagógica da Escola Pedro Amazonas Pedroso. (2020); - Palestra na mesa redonda Gênero, raça/etnia, classe e os 30 anos do ECA, no evento Conversações transversais sobre os 30 anos do ECA. Evento online, 2020. - Palestra na mesa redonda Educação étnico-racial, culturas e estéticas negras e histórias (des) colonialidade no evento 10 anos da promulgação do Estatuto da Igualdade Racial: transversalizando em busca de heterotopias. Evento online, 2020. - Através da imagem: retratos da escravidão negra no Pará na coleção fotográfica de Augusto Findanza. (profs: Junia Vasconcelos, Antônia Brioso, André Cunha, Ivan Neves. 2021. - História, culturas e simetrias pinturas corporais Guarani e Guajajara. (profs: Daniel Barroso, Antônia Brioso, Junior Nery, Danielly Meireles, Eduardo Wagner. 2021 - Literatura, cinema e (anti-)colonialismo nos países africanos de língua portuguesa. (prof° Francisco Ewerton e Rodrigo Santos. 2021 - Modernidade, colonialidade e racismo estrutural. (profs: Rafael Costa, Julia Rigamont. 2021) - O risco, o encontro e a trama da escuta minoritária: ateliês remotos de artivismo cultural. ( prof° Breno Filo). 2021. -Quilombo urbano: cartografia da segregação socioespacial do bairro da Terra Firme. (Profs: Mário Benjamin, Glauco Araújo). 2021. - Minicurso "Lugares de memória do trabalho, da educação e das sociabilidades negras na Belém da virada do século XIX e XX (1889-1930)" ministrado pela Profa. Doutoranda Antônia Brioso no evento comemorativo aos 10 Anos do Doutorado em História Social da Amazônia na Universidade Federal do Pará, realizado no período de 15/10 de 2021, no formato on-line. -De que cor é a beleza? (Profs. Me. Rafael Costa e Ma. Júlia Rigamont / Filosofia e Biologia). Curso para os professores/as da SEMEC/ Belém. Evento no Centro de Formação Paulo Freire/ SEMEC.2022 -O vocabulário crioulo. (Profs. Dr. Francisco Ewerton e Dr. Daniel Barroso/ Língua portuguesa e História). Evento no Centro de Formação Paulo Freire/SEMEC.2022 -Da África para o mundo ( Profas. Ma. Júlia Rigamont e Ma. Antônia Brioso). Curso para os professores/as da SEMEC/ Belém. Evento no Centro de Formação Paulo Freire/ SEMEC. 2022. - Igreja do Rosário dos homens pretos em Belém: sociabilidade, devoção e resistência. Profas. Ma. Júnia Vasconcelos e Ma. Antônia Brioso). Curso para os professores/as da SEMEC/ Belém. Evento no Centro de Formação Paulo Freire/ SEMEC. 2022. - Princesas africanas e a representatividade da criança negra na literatura infantil. Profas. Ma. Evillys Figueiredo e Ma. Nilzi Cunha). Curso para os professores/as da SEMEC/ Belém. Evento no Centro de Formação Paulo Freire/ SEMEC. 2022. - História, culturas, simetrias: a experiência de ensino com pinturas corporais guarani na perspectiva da ecologia de saberes. (Profa. Ma. Antônia Brioso, Prof. Dr. Almires Guarani, Prof. Me. Edilson Neri Júnior.2022. - Palestra da Profa. Doutoranda Antônia Brioso na mesa redonda 20 anos da Lei 10.639 no II Congresso Nacional do PROFHISTÓRIA, 04 e 07 de outubro de 2022, Universidade Estadual do Rio de janeiro (UERJ), campus Maracanã. 2022. - Formação para os professores de educação básica da SEMEC São Carlos/SP. Tecnologias pedagógicas para educação antirracista, 14 de novembro de 2024. Canal do CEFPE. - Formação para os professores da escola Municipal Ruy da Silveira Brito. 25 de novembro de 2024. Presencial. - Formação para estudantes e professores/as da Escola Estadual Rui Barbosa. 26 de novembro de 2024. Ao recuperamos no currículo na EA-UFPA a diversidade de conhecimentos oriundos das diferentes culturas que compõe a Amazônia, contemplamos as normativas 10.639/ 2003 e 11.645/ 2011 da LDB que sinalizam avanços na efetivação de direitos sociais educacionais e implicam no reconhecimento da necessidade de superação de imaginários, representações sociais, discursos e práticas que ignoraram e subalternizaram os conhecimentos indígenas, africanos e afro-brasileiros.