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Laboratório de Práticas Pedagógicas de Educação Étnico-racial da EA-UFPA (LAPPEER): formando sujeitos antirracistas no chão da escola

Unidade
ESCOLA DE APLICACAO
Subunidade
COORDENACAO DE PESQUISA E EXTENSAO
Coordenador
ANTONIA MARIA RODRIGUES BRIOSO
Período
2025-09-01 a 2026-03-01
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade
  • 10 - Redução das Desigualdades

Impacto na Amazônia

  • Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários
  • Comunidades Tradicionais – Ações com Quilombolas
  • Biodiversidade e Bioeconomia – Meio Ambiente

Resumo

O Laboratório de Práticas Pedagógicas de Educação Étnico-racial da EA-UFPA (LAPPEER) é formado por um grupo de professores/as de diferentes disciplinas do Ensino Médio da Escola de Aplicação da UFPA, que desenvolvem experimentos de pesquisa e extensão nas seus campos de atuação a fim de promoverem a intervenção pedagógica no campo da Educação para as relações étnico-raciais. Objetiva fortalecer o ensino das relações étnico-raciais e contribuir com o processo formativo antirracista no âmbito da UFPA, na Educação Básica e na sociedade de modo geral. O LAPPEER está lotado na Escola de Aplicação da UFPA, tendo sido um desdobramento de 14 anos de atuação do Projeto Cartografia da Cultura Afro-brasileira e Indígena da EAUFPA. O Cartografia foi criado em 2011 e já formou mais de mil estudantes da escola na linha da Educação Antirracista. Conta com a participação da comunidade interna e externa da EAUFPA (professores, técnicos, estudantes da graduação, estudantes da pós-graduação em educação, militantes e ativistas do movimento negro de Belém). O LAPPEER surgiu em 2021 imbricado no Cartografia. Enquanto o Projeto Cartografia faz suas ações no interior da EA, fortalecendo os/as estudantes negros/as e pardos tanto no combate ao racismo como para insurgência contra toda forma de discriminação e opressão; o LAPPER faz o trabalho de formação continuada a partir das pesquisas com estudantes da graduação, pós-graduação e professores da rede pública de ensino. A contar das experiências acumuladas, das pesquisas sobre um ensino para a configuração de novas relações étnico-raciais para o tempo presente, pretende-se constituir um laboratório de fomento de tecnologias antirracistas em todas as áreas de ensino. A interdisciplinaridade na perspectiva da ecossistemas de aprendizagens, o currículo insurgente, a interculturalidade e a democratização do conhecimento formam o eixo estruturante do LAPPEER. Em 2015 o projeto foi premiado no Edital Juventude Negra do Instituto Baobá e em 2018 a dissertação de mestrado da autora do projeto e que trata da pedagogia do Cartografia, recebeu menção honrosa no Edital Melhor Dissertação do PROFHISTÓRIA – CAPES. Os experimentos didáticos elaborados pelo Cartografia têm sido transformados em artigos publicados em revistas especializadas, sites e jornais e em 2020 foi ditado o livro Cartografia da Educação étnico-racial na educação básica – uma experiência de ensino antirracista, no qual a metodologia exitosa do projeto é estudada e divulgada nacionalmente. O Cartografia a cada ano tem produzido cerca de 5 a 10 produtos educacionais na linha da interculturalidade e antirracista em diferentes áreas do conhecimento escolar. Desse modo mais de 100 artefatos educacionais já foram desenvolvidos pelo Cartografia ao longo desses quatorze anos, Como exemplo desses produtos educacionais temos o blog Pano pra Manga, que traz os resultados das pesquisas sobre a cultura musical afro-brasileira e brinquedos africanos. O livro de Contos Indígenas e africanos Deixa eu contar. A exposição fotográfica e documental da Igreja do Rosário dos Homens Pretos em Belém, um patrimônio negro da capital e o vídeo História, memória e meio ambiente da Comunidade quilombola de Jacarequara no Acará no Pará. Para 2025 estaremos com 4 grupos de pesquisas com os estudantes, todos produzindo didáticas interculturais e na perspectiva dos ecossistemas de aprendizagens, desenvolvidos ao longo do ano letivo, cuja uma das culminâncias a XIV Mostra de Trabalhos do Projeto. Os temas para o corrente ano será: Tecnologias ancestrais: o ensino da Biologia e da Física ancorados em conhecimentos tradicionais das Amazônias, Epistemologias silenciadas: mulheres negras e filósofas na história do pensamento, Jogos africanos aplicados a matemática e A black music norte-americana na luta pelos direitos civis nos anos 60. A pedagogia antirracista do LAPPEER desenvolvida na EA-UFPA que é também uma metodologia interdisciplinar tem se tornando um campo de estágio para graduandos e pós-graduandos de diferentes áreas da UFPA e de outras faculdades, bem como um locus de formação qualificada para professores da rede pública. Outra ampliação do projeto, tem sido a ação extensionista nas comunidades quilombola de Macapazinho em Santa Isabel (2012 e 2013) e em Jacarequara, no Acará desde 2014 até 2024, o que pretende continuar no ano de 2025 e 2026. Em função de um acervo com mais de setenta (70) cursos, palestras e oficinas ministradas pelo Cartografia/ LAPPER ao longo de mais de uma década de atividades, elencamos algumas abaixo, devido os limites que nos impõe o sistema de cadastro do presente edital. Objetivando demonstrar um novo currículo escolar como resultado da pesquisa na EA-UFPA. 1- Grupos de pesquisa com o alunado do ensino médio: - Curso de história da África no período Moderno. (Disciplinas envolvidas História e Geografia) - Cursos Literatura e Descolonização em África: Angola e Moçambique. (Disciplinas envolvidas Literatura e Língua Portuguesa) - Curso de narrativas indígenas e africanas para educação Básica. (Disciplinas envolvidas História, Literatura e Língua Portuguesa) - Oficina de confecção de tambores, berimbau e maracá. (Disciplinas envolvidas Física, História e o coletivo Casa Preta em Outeiro e o indígena guarani e antropólogo Dr. Almires Martins) -Educação patrimonial e os lugares de memória do Tráfico Atlântico equatorial na Amazônia. (Disciplinas envolvidas Artes Visuais e História) - História, memória e meio ambiente de Jacarequara – um quilombo na Amazônia. (Disciplinas envolvidas Geografia, História e as lideranças da comunidade de Jacarequara) - Capoeira: a defesa do negro na Amazônia. (Disciplinas envolvidas educação Física, História, Filosofia e o grupo de capoeira de angola da Terra Firme) - A história do Carnaval e a cultura afro-brasileira em Belém. (Disciplinas envolvidas Artes Visuais e História) - Um canto pela liberdade: a black music e a luta pelos direitos civis nos EUA nos anos 60 e 70. (Disciplinas envolvidas Artes Musicais e História) - O corpo negro: Memória e Resistência. (Disciplinas envolvidas Biologia e Filosofia e uma professora de maquiagem, militante do movimento da Terra Firme) - A origem negra e periférica da guitarrada em Belém. (Disciplinas envolvidas Sociologia e História e músicos paraenses) A pintura corporal indígena: História, Memória e Cosmologias (Disciplinas envolvidas História, Artes Visuais e Filosofia e o indígena guarani e antropólogo Dr. Almires Martins) 2- Cursos, oficinas e palestras com público externo a EA-UFPA: - Relações Étnico-raciais no que se come na Amazônia. Palestra proferida no Curso de Nutrição associada à Semana da Consciência Negra. ( 2016) - Blog Pano pras Mangas: um artefato étnico-racial na disciplina Língua portuguesa. Palestra proferida na XXI Feira Pan-Amazônica do Livro. (2017) - Experiências de Implementação da Educação para as relações étnico-raciais e educação quilombola no Pará. Palestrante de mesa no VII Seminário do Grupo d Pesquisa de saberes e práticas educativas de populações quilombolas/ EDUQ. (2018) - Oficina “Aplicação das lis 10.6392003 e 11.645/2008 na prática educacional”. Seminário nacional de inclusão, acessibilidade e diversidade da UFPA. (2019) - Ateliê de história: a educação para as relações étnico-raciais e o ensino de história. II Encontro Guamaense de história na UEPA. (2019) - A questão afro-indígena na América latina: resistências, cultura e representatividade. Palestrante na mesa no II encontro Guamaense de estudantes de história na UEPA(2019) - Práticas e representações de educação intercultural na EA-UFPA: a experiência do Projeto Cartografia Afro-brasileira e Indígena no 9º Encontro Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, realizado na Universidade Federal de Santa Catarina. (2019) - Questões étnico-raciais no contexto educacional na Semana Pedagógica da Escola Pedro Amazonas Pedroso. (2020); - Palestra na mesa redonda “Gênero, raça/etnia, classe e os 30 anos do ECA, no evento Conversações transversais sobre os 30 anos do ECA. Evento online, 2020. - Palestra na mesa redonda Educação étnico-racial, culturas e estéticas negras e histórias (des) colonialidade no evento “10 anos da promulgação do Estatuto da Igualdade Racial: transversalizando em busca de heterotopias. Evento online, 2020. - Através da imagem: retratos da escravidão negra no Pará na coleção fotográfica de Augusto Findanza. (profs: Junia Vasconcelos, Antônia Brioso, André Cunha, Ivan Neves. 2021. - História, culturas e simetrias pinturas corporais Guarani e Guajajara. (profs: Daniel Barroso, Antônia Brioso, Junior Nery, Danielly Meireles, Eduardo Wagner. 2021 - Literatura, cinema e (anti-)colonialismo nos países africanos de língua portuguesa. (prof° Francisco Ewerton e Rodrigo Santos. 2021 - Modernidade, colonialidade e racismo estrutural. (profs: Rafael Costa, Julia Rigamont. 2021) - O risco, o encontro e a trama da escuta minoritária: ateliês remotos de artivismo cultural. ( prof° Breno Filo). 2021. -Quilombo urbano: cartografia da segregação socioespacial do bairro da Terra Firme. (Profs: Mário Benjamin, Glauco Araújo). 2021. - Minicurso "Lugares de memória do trabalho, da educação e das sociabilidades negras na Belém da virada do século XIX e XX (1889-1930)" ministrado pela Profa. Doutoranda Antônia Brioso no evento comemorativo aos 10 Anos do Doutorado em História Social da Amazônia na Universidade Federal do Pará, realizado no período de 15/10 de 2021, no formato on-line. -De que cor é a beleza? (Profs. Me. Rafael Costa e Ma. Júlia Rigamont / Filosofia e Biologia). Curso para os professores/as da SEMEC/ Belém. Evento no Centro de Formação Paulo Freire/ SEMEC.2022 -O vocabulário crioulo. (Profs. Dr. Francisco Ewerton e Dr. Daniel Barroso/ Língua portuguesa e História). Evento no Centro de Formação Paulo Freire/SEMEC.2022 – -Da África para o mundo ( Profas. Ma. Júlia Rigamont e Ma. Antônia Brioso). Curso para os professores/as da SEMEC/ Belém. Evento no Centro de Formação Paulo Freire/ SEMEC. 2022. - Igreja do Rosário dos homens pretos em Belém: sociabilidade, devoção e resistência. Profas. Ma. Júnia Vasconcelos e Ma. Antônia Brioso). Curso para os professores/as da SEMEC/ Belém. Evento no Centro de Formação Paulo Freire/ SEMEC. 2022. - Princesas africanas e a representatividade da criança negra na literatura infantil. Profas. Ma. Evillys Figueiredo e Ma. Nilzi Cunha). Curso para os professores/as da SEMEC/ Belém. Evento no Centro de Formação Paulo Freire/ SEMEC. 2022. - História, culturas, simetrias: a experiência de ensino com pinturas corporais guarani na perspectiva da ecologia de saberes. (Profa. Ma. Antônia Brioso, Prof. Dr. Almires Guarani, Prof. Me. Edilson Neri Júnior.2022. - Palestra da Profa. Doutoranda Antônia Brioso na mesa redonda 20 anos da Lei 10.639 no II Congresso Nacional do PROFHISTÓRIA, 04 e 07 de outubro de 2022, Universidade Estadual do Rio de janeiro (UERJ), campus Maracanã. 2022. - Formação para os professores de educação básica da SEMEC – São Carlos/SP. Tecnologias pedagógicas para educação antirracista, 14 de novembro de 2024. Canal do CEFPE. - Formação para os professores da escola Municipal Ruy da Silveira Brito. 25 de novembro de 2024. Presencial. - Formação para estudantes e professores/as da Escola Estadual Rui Barbosa. 26 de novembro de 2024. Ao recuperamos no currículo na EA-UFPA a diversidade de conhecimentos oriundos das diferentes culturas que compõe a Amazônia, contemplamos as normativas 10.639/ 2003 e 11.645/ 2011 da LDB que sinalizam avanços na efetivação de direitos sociais educacionais e implicam no reconhecimento da necessidade de superação de imaginários, representações sociais, discursos e práticas que ignoraram e subalternizaram os conhecimentos indígenas, africanos e afro-brasileiros.