A história da educação no Vale do Xingu e os impactos da UHE Belo Monte
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 7 - Energia Acessível e Limpa
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
- 14 - Vida na Água
- 15 - Vida Terrestre
Impacto na Amazônia
- Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários
- Comunidades Tradicionais – Ações com Ribeirinhos
Resumo
Este projeto de pesquisa foi proposto inicialmente em 2020, por ocasião do meu ingresso no doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Educação da UNICAMP/UFPA. A pesquisa segue ativa através do plano de atividades proposto para finalização da última fase da redação da qualificação e da defesa da tese. O projeto A história da educação no Vale do Xingu e os impactos da UHE Belo Monte busca interpretar o pensamento colonialista através da construção da narrativa histórica em uma série de cartografias produzidas pelos invasores do Vale do Xingu desde o século 16, até chegar nos mapas dos grandes projetos de exploração do Médio Xingu no início do século 21. Esta pesquisa tem por objetivo analisar o tema da educação nos registros produzidos pelas mãos dos colonialistas: desde a Carta de Caminha (1500); do rio Aoripana no mapa de Mercator (1569); das missões no mapa de Danville (1729); do Mapa Geral do Bispado do Pará (1759); das escolas dentro do mapa das Rurópolis na Transamazônica (1970); até a cartografia das escolas impactadas pelas barragens de Belo Monte (2023). A história da catequese dos indígenas; o abc da faca para os filhos dos seringueiros; a cartilha poronga para os companheiros de Chico Mendes; a instrução pública e a cartilha dos caminhos suaves na região do Xingu; a história da educação à beira da estrada; a pedagogia da floresta da irmã Dorothy Stang; o projeto Rondon e o Campus Avançado de Altamira; o projeto Gavião; o magistério extrativista na Terra do Meio da UFPA e as escolas ribeirinhas da Volta Grande do Xingu, impactadas, fechadas e mapeadas à jusante das barragens de Belo Monte. As vivências e escutas na construção do tema desta pesquisa provocaram as perguntas iniciais sobre como foram construídas determinadas narrativas históricas sobre a educação e os impactos dos grandes projetos de exploração da Amazônia. A pesquisa está referenciada sobretudo em autores da Pedagogia Histórico-Crítica (PHC). As fontes são documentais, cartográficas, iconográficas e bibliográficas. O plano de trabalho da pesquisa se dividiu em quatro fases (as três primeiras já finalizadas e a última por concluir): Na primeira fase, através da plataforma da Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), foram levantados todos os trabalhos sobre Belo Monte, com enfoque na análise daqueles com relação direta com a temática da educação; Na segunda fase, em Colonização, invasões e educação no Vale do Rio Xingu, se analisou os ciclos econômicos e as guerras de invasão e seus impactos na história da educação na região do Médio Xingu; Na terceira fase, através da massa documental dos inquéritos, processos e documentos dos órgãos governamentais (Funai, Ibama, Icmbio, Defensoria Pública e Ministério Público Federal e Estadual), analisou-se a luta pela educação dos impactados e atingidos pela barragem registrada nos processos contra a UHE Belo Monte, especialmente sobre as escolas diretamente impactadas e extintas nos municípios da região da Volta Grande do Xingu; Na quarta fase, serão analisados os impactos que Belo Monte na produção de livros, cartilhas e materiais educacionais, sobretudo acerca dos aspectos ideológicos da escrita da história do Vale do Xingu. Nesta última fase da pesquisa será problematizado a temática da educação nas produções e publicações elaboradas ou patrocinadas pela empresa Norte Energia S.A. (NESA), sobretudo na massa documental organizada pela empresa Scientia Consultoria Científica Ltda. para compor o acervo da Casa de Memória Transxingu (CMT). Em síntese, com esta pesquisa sobre a história da educação no Vale do Xingu, espera-se ampliar e provocar novos debates e ações no campo educacional que contribuam e fortaleçam o movimento de luta dos povos indígenas e das populações ribeirinhas que foram sistematicamente violentados pela UHE Belo Monte.