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Educação e Implementação de Engenharia de Software no contexto da Melhoria de Processo de Software do MPS.BR: Aplicação do SPIDER

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS EXATAS E NATURAIS
Subunidade
POS-GRADUACAO EM CIENCIA DA COMPUTACAO
Coordenador
SANDRO RONALDO BEZERRA OLIVEIRA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade

Resumo

Devido a globalização, cada vez mais os produtos e serviços estão sujeitos a novas exigências de mercado, a alta competitividade e a concorrência internacional. Neste cenário, a qualidade torna-se uma arma competitiva, tendo em vista a equiparação com padrões internacionais, conformidade com a especificação e a satisfação do cliente. A qualidade pode ser definida como a totalidade das características de uma entidade que lhe confere a capacidade de satisfazer às necessidades explícitas e implícitas [Abnt.94]. Entre os benefícios da qualidade estão as reduções de defeitos, aumento da confiabilidade do produto, redução do esforço de re-trabalho, redução de custo de desenvolvimento e manutenção, e maior índice de satisfação dos clientes. A literatura tem mostrado que a qualidade do produto ou serviço de uma organização, só é plenamente obtida se os processos das organizações aderirem às normas de qualidade. Visando a qualidade do processo, o modelo MPS.BR – Modelo de Processo de Software Brasileiro [Softex.12], se propõe a ser um guia evolucionário para o aperfeiçoamento e adequação de processos organizacionais. Em 2003, a Qualidade tornou-se uma das prioridades da SOFTEX – Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro, elencada como um dos seus Projetos Estruturantes. Desde dezembro de 2003, sete renomadas instituições brasileiras, com competências complementares na melhoria de processos de software em empresas, participam do projeto MPS.BR: a Sociedade SOFTEX; três instituições de ensino, pesquisa e centros tecnológicos (COPPE/UFRJ, CESAR, CenPRA); uma sociedade de economia mista (CELEPAR); e duas organizações não-governamentais integrantes do Programa SOFTEX (RIOSOFT e Sociedade Núcleo SOFTEX 2000 de Campinas). O Projeto MPS.BR visa a melhoria de processos de software em empresas brasileiras, a um custo acessível, especialmente na grande massa de micro, pequenas e médias empresas [Weber.04]. Não é objetivo do projeto definir algo novo no que se refere a Normas e Modelos de Maturidade. A novidade do projeto está na estratégia adotada para sua implementação, criada para a realidade brasileira [Weber.04]. Além disto, o Modelo de Negócio definido para o projeto tem grande potencial de replicabilidade no Brasil e em outros países de características semelhantes, como, por exemplo, os países latinoamericanos. Desta forma modelos, normas e métodos já disponíveis foram ponto de partida para a definição do Modelo de Referência, a análise da realidade das empresas brasileiras, a norma ISO/IEC 12207 [ISO/IEC.95, ISO/IEC.01, ISO/IEC.04b], a série de normas ISO/IEC 15504 (SPICE) [ISO/IEC.04a] e o modelo CMMI – Capability Maturity Model Integration [SEI.10]. De uma forma geral, o MPS.BR descreve o quê deve ser feito para melhoria gradual de processos, definindo níveis de maturidade que são organizados por processos que possuem objetivos alcançados por resultado esperados os quais são evidenciados em produtos de trabalho. Para tanto, faz-se necessária a utilização de ferramentas de software para possibilitar a implantação do modelo MPS.BR nas organizações. Atualmente, existe um movimento crescente onde esforços individuais e coletivos, impulsionados pela massificação da Internet, derivam a criação de softwares não proprietários com o objetivo de atender às necessidades comuns das organizações e de indivíduos [Gnu.08]. Estes softwares, denominados software livre, devido a liberdade de qualquer um poder utilizá-los e modificá-los, estão cada vez mais difundidos nas organizações e no uso doméstico. Até governos, como o brasileiro [Gov.08], criam políticas de incentivo para difusão destes softwares. A definição de software livre (free software) é o software disponível com a permissão para qualquer um usá-lo, copiá-lo e distribuí-lo, seja na forma original ou com modificações, seja gratuitamente ou com custo [Hexsel.02]. A possibilidade de modificações implica que o código fonte esteja disponível (open source) e o software deve poder ser executado em um sistema operacional também livre. Paralelo a isso, há uma crescente necessidade de experimentar novos modelos pedagógicos para o ensino de melhoria de processos e ferramentas de software livre, pois é necessário que o aluno desenvolva autonomia de ideias, pensamento crítico além de construir um bom conhecimento teórico-prático. A formação desse aluno deve alinhar o estado da arte com as tecnologias emergentes na área [Paschoal.19]. Também existe a necessidade de investir na formação acadêmica dos alunos de computação. Espera-se que eles incorporem conceitos e práticas de melhoria do processo e ferramenta de software livre através do desenvolvimento de iniciativas oriundas da área [Paschoal et al..20]. As metodologias ativas, quando tomadas como base para o planejamento de situações de aprendizagem, podem contribuir significativamente para o desenvolvimento da autonomia e motivação do aluno, pois favorecem o sentimento de pertencimento e coparticipação no processo de aprendizagem [Diesel et al.17]. O Guia Curricular da SBC (Sociedade Brasileira de Computação) de 2017 indica que nos cursos de Ciência da Computação, sempre que possível, devem ser empregadas metodologias ativas para que o aluno dedique mais tempo em atividades em que seja protagonista no processo de ensino e aprendizagem [Zorzo et al.17]. Garousi et al. (2020), em sua revisão da literatura, afirmam que a disciplina de melhoria de processos de software e ferramenta de software livre precisa ser ensinada de forma mais ativa, utilizando aprendizagem de forma ativa, e prática para que os estudantes adquiram competências e possam estimular habilidades necessárias no mercado de trabalho.