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As curvas que sonham: uma abordagem rizomática e interdisciplinar sobre curvas planas.

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS EXATAS E NATURAIS
Subunidade
FACULDADE DE MATEMATICA
Coordenador
CRISTINA LUCIA DIAS VAZ
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade

Resumo

Comecemos pelo título do projeto “As curvas que sonham: uma abordagem rizomática e interdisciplinar sobre curvas planas”. Este título foi inspirado do poema “As lições de RQ” que o poeta Manoel de Barros dedicou ao pintor boliviano Rômulo Quiroga (Barros, 2016) e fundamenta os caminhos da pesquisa conferindo-lhe criatividade, rigor e sensibilidade. A escolha do poema deve-se a frase “A reta é uma curva que não sonha”, que reflete bem tanto o legado do poeta quanto os princípios do rizoma, na perspectiva de uma mudança de atitude e de um olhar transgressor sobre a abordagem das curvas planas e também sobre a metodologia da pesquisa, propondo um rompimento com métodos e técnicas cristalizados no campo da Matemática, pois trata-se de rupturas, insubordinações e desestabilizações e de um convite para adotarmos uma postura rizomática e interdisciplinar visando uma educação mais criativa, libertária e transformadora (Freire, 2020). As aproximações entre Deleuze e a artesania poética de Manoel de Barros, associadas a uma postura interdisciplinar e as ideias de Paulo Freire, fundamentam os caminhos desta pesquisa, que pretende provocar fissura e insubordinações na tradicional abordagem de curvas planas. O verso “A reta não sonha. Não use o traço acostumado” desvela aspectos importantes para a reflexão sobre as abordagens das curvas planas. Expressa a vontade de dizer não à repetição, ao tradicional, a imitação e nos convida a valorizar a imaginação, a criatividade e a sensibilidade como condutores dos processos de investigação e produção de conhecimento. Deleuze (2003) afirma que toda aprendizagem se dá pela violência dos signos, principalmente os da Arte. Os signos nos permitem sonhar, pois nos violentam, nos tiram do conforto, nos fazem chegar à essência máxima da diferença. “Não usar o traço acostumado”, é, para Deleuze, essa dinâmica de ideias e ações, que pode ser entendida como a característica principal da multiplicidade, a qual pretendemos explorar nesta pesquisa. Por outro lado, Paulo Freire (2011) afirma que ninguém ensina nada a ninguém em um movimento de transferência, mas em um processo que oferecer condições para uma produção própria, que se origina no aprendiz, na bagagem que este carrega consigo, em seu repertório. Portanto, trata-se de um entendimento do processo de aprender como um esforço pessoal (esforço pessoal original) que se torna efetivo (ou significativo) a partir do momento em que o aprendizado se constrói com base na experiência de vida do sujeito, acionando elementos de seu cotidiano e de suas vivências. Assim, educar não é um processo bancário no qual deposita-se conhecimentos ao aprendiz, moldando e direcionando o seu pensamento, pois educar é um movimento permanente de fazer e refazer, de criar e recriar conhecimento. A “linha reta que não sonha” é criticada por Freire e as abordagens rígidas e lineares é objeto de sua resistência. Para Freire (2002, p.19), Sonhar não é apenas um ato político necessário, mas também uma conotação de forma histórico-social de estar sendo de mulheres e de homens. [...]. Não há mudança sem sonho como não há sonho sem esperança. Atualmente, prevalece na abordagem das curvas planas e, consequentemente, no ensino e na aprendizagem delas, “curvas que não sonham” e “traços acostumados”, configurados pela fragmentação de saberes e predomínio de uma visão linear e tradicional, centralizada na abordagem puramente técnica e algorítmica, que ignora criatividade, heterogeneidade e interconexidade. Nesse sentido, a clássica alusão de Freire ao formato “bancário” de educação se aproxima da concepção do conhecimento linear e imutável. “O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É precis o transver o mundo”. Aqui, o poeta faz um convite para mudarmos a nossa forma de ver o mundo e também nos convida para a sair do campo das ideias e passar para à ação, à intervenção e à deformação do mundo e de nós mesmos. Incentiva uma renovação do olhar para além do cotidiano, do habitual num movimento de mudança e de construção de algo novo e diferente. E para isto, considera fundamental a abertura do transver. Estes versos dialogam com a ideia de interdisciplinaridade de Ivani Fazenda (2011, p. 59 apud Oliveira; Santos p. 76, 2017) quando ela afirma: A real interdisciplinaridade é antes uma questão de atitude. Supõe uma postura única diante dos fatos a serem analisados, mas não significa que pretenda impor-se, desprezando suas particularidades. Com a interdisciplinaridade podemos “tranver” o universo das curvas planas e a partir de diferentes conexões (o que se vê ou revê) podemos educar o nosso olhar para “fazer cavalo verde” e “noiva voando”, liberando nossa criatividade e explorando novas abordagens.