TOXOPLASMOSE EM PARQUES URBANOS: UMA PROPOSTA DE ESTUDO EM SAÚDE ÚNICA PARA PREVENÇÃO DE DOENÇAS E CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
- 4 - Educação de Qualidade
- 5 - Igualdade de Gênero
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
Impacto na Amazônia
- Biodiversidade e Bioeconomia – Conservação Ambiental
Resumo
Estudos envolvendo os espaços de convivência, a população humana e animal, seja silvestre ou doméstica, são de suma importância para prevenção de surtos de doenças que possam afetar a Saúde Única. A toxoplasmose, causada pelo Toxoplasma gondii, leva a sinais clínicos variáveis e inespecíficos como apatia, prostração, febre alta, inapetência, dispnéia e secreção nasal serossanguinolenta. O gato doméstico é muito importante para manutenção do ciclo urbano da toxoplasmose, sendo aves e diversos mamíferos os hospedeiros intermediários, e baratas, minhocas e besouros funcionam como hospedeiros mecânicos. A doença pode ser transmitida de forma congênita, pela ingestão de alimentos ou água contaminada com oocistos esporulados. Na cidade de Belém há um parque de 15 hectares, um fragmento de floresta no coração da cidade onde mais de 80% são compostos por áreas verdes e 20% são caminhos para circulação de visitantes que podem entrar em contato com a fauna livre, assim como com os que vivem em cativeiro. Mensalmente, 20 mil pessoas, na maioria crianças e estudantes, visitam. Inevitavelmente, há a presença de animais domésticos errantes. A morte por toxoplasmose aguda em 18 primatas de vida livre do gênero Saimiri em nesse local em menos de um mês levanta a necessidade de estudos para entender a dinâmica da disseminação da doença assim como para promover ações educativas no parque e no entorno. A espécie a ser estudada apresenta declínios populacionais em algumas áreas, especialmente na Área de Endemismo de Belém devido principalmente ao aumento da agricultura, pecuária, desmatamento, redução de habitat. O tamanho total da população restante é desconhecido, embora se suspeite de um declínio no número da população. Dessa forma, estudos envolvendo os animais necropsiados, o ambiente e os animais errantes deste local são necessários para avaliar e investigar a presença de lesões características juntamente com analises moleculares e imunohistoquimica, além da análise do solo para verificar a presença de oocistos através de análises moleculares, nas diferentes épocas do ano irão auxiliar no entendimento da dinâmica de infecção da doença para que uma proposta de ação para prevenção seja instituída. Serão realizadas ações voltadas para informar a população que frequenta o local assim como as escolas no entorno do parque, sobre a guarda responsável dos animais de estimação, uma vez que a suspeita para o início do surto de toxoplasmose no local paira em torno de um gato doente que foi colocado dentro do espaço do bosque vindo a óbito logo após o abandono. Esse trabalho no entorno do parque irá auxiliar na divulgação das informações sobre a doença e formas de infecção, informando inclusive dos riscos para o ser humano.