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Ensino de História e Cidadania nas séries Iniciais

Unidade
CAMPUS UNIVERSITARIO DE CASTANHAL
Subunidade
FACULDADE DE PEDAGOGIA - CASTANHAL
Coordenador
TULIO AUGUSTO PINHO DE VASCONCELOS CHAVES
Período
2024-09-01 a 2026-08-31
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade
  • 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura

Resumo

Hanna Arendt ao refletir, no fim dos anos 1950, sobre o que chamava de “crise geral do mundo moderno” e seus impactos no universo educacional capitalista no pós-guerra, alertava para os perigos de uma sistema educacional que se construía como projeto político e econômico no mundo capitalista, que percebia a educação como sinônimo de progresso econômico e de um novo estilo de vida na sociedade de massa industrial. Um mundo novo que lançava a criança já em seus primeiros anos em um mundo público, como uma espécie de aprendiz do mundo do trabalho e do consumo. Em meio a crise, Hanna Arendt lembrava que a educação para resistir a este mundo, precisa ser vista como um meio de mediação, de preparação para inserção de um ser em formação em um mundo estranho, complexo e hostil. A escola, nesse sentido, é um lugar de uma exposição controlada entre as esferas publicas e privadas, comprometidas com a continuidade do mundo e com o desenvolvimento social do indivíduo. Mais do que preparar para o mundo capitalista, a Escola para Arendt é um lugar de reflexão sobre o legado histórico humano, uma reponsabilidade com a continuidade da espécie humana. Este legado histórico, no entanto, não serve como mera repetição ou erudição que serviria apenas para semear continuidades. Para Arendt a reflexão sobre o passado é arma de liberdade, é instrumento de leitura de mundo em que através do velho se torna possível a construção do novo e revolucionário. O ensino de História nas últimas décadas tem sofrido inúmeras transformações, de uma disciplina pensada como construtora da nacionalidade e de uma cidadania ufanista da pátria, para uma disciplina centrada na percepção crítica do homem no mundo, atenta as diferentes necessidades da escola, da comunidade e de seus discentes a fim de dota-los de consciência crítica quanto à natureza do conhecimento histórico bem como capacitá-los a refletir sobre sua própria inserção neste campo embasando suas estratégias de luta no presente. O historiador alemão Rüsen (2006) compreende que um desafio do conhecimento histórico é o despertar para uma “consciência histórica”, entendida por este autor como incorporação de conceitos historiográficos voltados a ampliação da consciência crítica, capaz de compreender, interpretar e oferecer sentido as experiências do passado no presente. O conhecimento histórico aparece neste sentido como instrumento de percepção crítica do presente. Para este autor a construção do conhecimento histórico no espaço escolar “está articulada ao modo como a experiência do passado é vivenciada e interpretada de maneira a fornecer uma compreensão do presente e a construir projetos de futuro” (RÜSEN, 2006, p.) Os desafios apresentados para um novo modelo de ensino de história representam questões importantes para todos os níveis de ensino, mas são particularmente complexas quando se pensam as series iniciais do ensino fundamental, um universo particularmente novo e ainda carente de estudos no campo da história. Ainda que tenham crescidos os espaços de reflexão sobre o ensino de história nas últimas décadas, este tem se centrado em sua maioria sobre os anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. Neste sentido é importante frisar que a tradição escolar Brasileira a inserção dos conteúdos históricos se dá desde a primeira série do ensino fundamental, mas é apenas no sexto ano que o discente tem contato com um professor de formação específica na área da história. Tal característica gera impactos na própria formação docente que ainda pouco capacita professores para refletir sobre métodos e conteúdos para as series iniciais. Em especial após a nova BNCC foram introduzidas novas temáticas e possibilidades de trabalho que precisam ainda serem melhor mapeadas, debatidas e estudas pelos historiadores, visando a construção de formas de resistências e aperfeiçoamentos ainda muito necessários aos sistema educacional brasileiro. Neste Sentido, este projeto visa analisar a representação de professores dos anos iniciais da educação sobre as mudanças observadas no ensino de História bem como os principais desafios de implementação das novas propostas de trabalho, especialmente a partir da nova BNCC.