PROCEDIMENTOS DIALÉTICOS E PESQUISA EM EDUCAÇÃO TEORIA CRÍTICA DA SOCIEDADE
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
Impacto na Amazônia
- Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários
Resumo
O presente trabalho é uma pesquisa sobre a situação da pesquisa, nos cursos de Licenciatura Plena em Pedagogia. Trata-se de um estudo sobre a qualidade dialética da pesquisa, em educação, sob a ótica da teoria crítica da sociedade, e uma busca de sentido, da existência de tanta pesquisa realizada, supostamente produzindo conhecimentos, em educação, autointituladas críticas, cujos efeitos concretos, amiúde, não alteram nem a existência da pesquisadora, do pesquisador. É uma busca de entendimento sobre uma aparente, sobre uma possível dissociação programática entre teoria e prática, entre discursos e vivência concreta. A hipótese, para este estudo é tanto simples, quanto ampla, tem a ver com o distanciamento da formação acadêmica, com a realidade, no interior da qual ela se desenvolve, ou seja, a educação parece ser uma bolha de isolamento, que trata da realidade, da qual se isolou. Somente a tomada de consciência do social proporciona ao conhecimento a objetividade que ele perde por descuido enquanto obedece às forças sociais que o governam, sem refletir sobre elas. Crítica da sociedade é crítica do conhecimento e vice-versa (Adorno, 1995, p. 189). Por uma regra de autopreservação e sobrevivência a pesquisadora, o pesquisador, pratica a crítica cultural, sem chagar à crítica dialética da cultura, como Adorno (1998, p. 07) escreveu. A partir desta exposição de Adorno, de uma forma bem clara, a hipótese, o plano de fundo, neste trabalho é a consciência de que a pesquisa em educação, nos cursos de Licenciatura Plena em Pedagogia, se consolidou como crítica da sociedade e como crítica do conhecimento quando, até por uma questão de honestidade, precisaria alcançar o nível de crítica dialética da sociedade e como crítica dialética do conhecimento. O objetivo geral é: investigar a produção de pesquisa em educação, nos cursos de Licenciatura Plena em Pedagogia, PPCs, Planos de Curso e TCCs , como crítica da sociedade e como crítica do conhecimento no confronto da crítica dialética da sociedade e como crítica dialética do conhecimento, a partir da produção teórica da Escola de Frankfurt (Teoria Crítica da Sociedade), com especial atenção às obras de Adorno e Horkheimer. Todo o referencial teórico será com base nos escritos de Adorno e Horkheimer, da Teoria Crítica da Sociedade, com o apoio de autores de orientação materialista histórico-dialética. Utiliza a orientação metodológica do materialismo histórico-dialético, em pesquisa bibliográfica e documental. A previsão de execução é de vinte e quatro (24) meses, podendo ser necessário um pedido de prorrogação. I. INTRODUÇÃO a) PROBLEMÁTICA A educação escolar é objeto de pesquisa, à exaustão, todos os anos, no Brasil. Bastaria fazer o levantamento do número de pessoas graduadas em Licenciaturas Plenas (deixe-se de fora, por ora, as Especializações, Mestrados, Doutorados, Pós-doutorados e projetos desenvolvidos nas universidades) e já se teria um número aproximado de trabalhos de conclusão de curso (TCCs) que pesquisaram temas da educação escolar. Isto faz surgir uma problemática rica para outras pesquisas. Aliás, as pesquisas sobre pesquisas têm inspirado muitos TCCs, por exemplo. O Brasil estuda a sua educação, revisa seus programas, analisa suas metodologias. Pelo volume de pesquisas, pode-se estar seguro de que o Brasil pensa a educação. Haveria que se perguntar, então, no que estas pesquisas, em educação escolar, têm garantido melhorias nos processos de ensino-aprendizagem, de alfabetização, de formação cidadã e na consolidação do Sistema Nacional de Educação. A resposta seria um tanto desconcertante. As pesquisas desenvolvidas, em geral não tem nenhuma influência na educação municipal, estadual, nacional. Os motivos são tantos em volume e interesse. A primeira situação a ser destacada é que, raramente, uma educadora, um educador da área da formação escolar se torna dirigente de secretarias, ou ministério, da educação no país. Quando tal acontece, tem-se, amiúde, pessoas comprometidas com um programa de poder, do dirigente, e não com um programa de desenvolvimento municipal, estadual, nacional. Paulo Freire viveu e chegou a reportar a sua condição de Secretário Municipal de Educação, do município de São Paulo, no governo de 1992 a 1996. As contradições que se pode encontrar na realidade educacional escolar, no Brasil, não é estranha. Darcy Ribeiro havia sentenciado que a educação ruim no Brasil não é um problema, mas, um programa. Pelo viés interno, próprio das universidades e das pesquisas, ali realizadas, ainda são válidas as observações do estudo de Alves-Mazzotti (2001, p. 40) , que analisa características da pesquisa em educação, no Brasil, e identifica três problemas institucionais: [...] (a) primazia do ensino sobre a pesquisa no âmbito das universidades, deixando aos docentes pesquisadores pouca disponibilidade de tempo para a pesquisa e a orientação; (b) quase ausência de equipes com articulação e continuidade suficientes para o estabelecimento de linhas de investigação que favoreçam a produção de um corpo sólido e integrado de conhecimentos e confiram um perfil próprio aos diferentes programas de pós-graduação; e (c) falta de apoio efetivo das universidades e das agências de fomento ao desenvolvimento de pesquisas. Ao analisar as pesquisas, a partir de seus conteúdos, Mazzotti identifica cinco características, que se convertem em problemas, vícios, danos: No que se refere às deficiências apontadas nas pesquisas produzidas, destacam-se: (a) pobreza teórico-metodológica na abordagem dos temas, com um grande número de estudos puramente descritivos e/ou exploratórios; (b) pulverização e irrelevância dos temas escolhidos; (c) adoção acrítica de modismos na seleção de quadros teórico-metodológicos; (d) preocupação com a aplicabilidade imediata dos resultados; e (e) divulgação restrita dos resultados e pouco impacto sobre as práticas (ALVES-MAZZOTTI, 2001, p. 40). Talvez a divulgação restrita seja o menor dos problemas, se o interesse é a produção de conhecimento. Trabalhos puramente descritivos, temas irrelevantes, modismos metodológicos e preocupação com o fazer são apunhaladas de morte em qualquer pesquisa, ainda que conservadora. As discentes e os discentes têm sua responsabilidade neste quadro mistificado, mas, o trabalho pedagógico docente, parece estar em xeque, sobremaneira. Quem orienta trabalhos sabe quantos discursos faz, para inocentar uma acadêmica, um acadêmico, para que seja aprovado seu trabalho; quem é rigoroso também sabe como lhe faltam discentes para a orientação; quem ministra disciplinas de metodologia, pesquisa e TCC, sabe o quanto é difícil realizar o trabalho que a ciência exige. A pesquisadora, o pesquisador, não é um militante-ativista da realidade nem em situações de pesquisa-ação, ou estudos longitudinais , mas do esclarecimento, da produção de conhecimento contra a ignorância, contra a mistificação e contra a semiformação. Ninguém é obrigado a realizar uma pesquisa sob a orientação do materialismo histórico-dialético. Ninguém precisa se comprometer com a revolução e com a transformação social. Ninguém pode ser proibido de ser positivista, ou fenomenológico. Destas três assertivas a pergunta que cabe é sobre qual o papel do positivismo, da fenomenologia, do materialismo histórico-dialético em uma pesquisa, ou: que tipo de pesquisa se faz, quando a autora, o autor, não assume nenhuma destas posições. b) PROBLEMA A pesquisa proposta, neste projeto, Procedimentos dialéticos e pesquisa em Educação Teoria Crítica da Sociedade, é sobre a pesquisa materialista histórico-dialética. Assume como questão-problema, o seguinte questionamento: qual é a qualidade dialética da pesquisa, em educação, para a teoria crítica da sociedade? Trata-se de uma busca de sentido, de tanta pesquisa realizada, supostamente produzindo conhecimentos, em educação, autointituladas críticas em se tratando de Pedagogia, é comum que se queira ser crítica, crítico, que se queira ser libertadora, libertador, que se queira ser freireana, freireano, difícil que alguém se assuma conservadora, conservador, de direita, capitalista cujos efeitos concretos, amiúde, não alteram nem a existência da pesquisadora, do pesquisador. É uma busca de entendimento sobre uma aparente, sobre uma possível dissociação programática entre teoria e prática, entre discursos e vivência concreta. c) HIPÓTESE E, como hipótese, o seguinte enunciado: a teoria crítica da sociedade busca a produção de conhecimento, em educação, para que possam ser superadas as contradições pedagógicas, pseudoformativas e desumanizantes, para que se possa produzir uma sociedade esclarecida, no interior da qual ninguém passe fome. A práxis da pesquisa sob a orientação da dialética histórico-materialista torna o pesquisador um aprendiz da realidade que, a todo momento, confronta a realidade com o seu próprio conceito, se esforçando para superar toda e qualquer reificação, por meio da crítica dialética. Esta hipótese tem a ver com o distanciamento da formação, com a realidade, no interior da qual ela se desenvolve. Somente a tomada de consciência do social proporciona ao conhecimento a objetividade que ele perde por descuido enquanto obedece às forças sociais que o governam, sem refletir sobre elas. Crítica da sociedade é crítica do conhecimento e vice-versa (Adorno, 1995, p. 189). Há um reconhecimento de que, quem pesquisa, tem medo e, por uma regra de autopreservação e sobrevivência pratica a crítica cultural, sem chagar à crítica dialética da cultura, como Adorno (1998, p. 07) escreveu em: Prismas: crítica cultural e sociedade: Mas o crítico da cultura incorpora a diferença no aparato cultural que gostaria de suplantar, aparato que precisa, ele mesmo, dessa diferença para poder se apresentar como cultura. É próprio da pretensão da cultura à distinção, por meio da qual ela procura se dispensar da prova das condições materiais de vida, nunca se julgar distinta o suficiente. O exagero da presunção cultural, que por sua vez é imanente ao próprio movimento do espírito, aumenta a distância em relação a essas condições à medida que a dignidade da sublimação, confrontada com a possibilidade de satisfação material ou ameaça de aniquilação de incontáveis seres humanos, torna-se questionável. O crítico da cultura faz dessa pretensão aristocrática um privilégio seu, perdendo sua legitimação ao cooperar com a cultura como um flagelo honrado e bem-pago. Isso afeta, no entanto, o teor da crítica. Críticos, no cenário social, nunca faltaram, mas, hoje, a questão é concorrer: quem é o mais crítico! Críticas daqui para lá, sem misericórdia, ou compaixão, sem intenção de repensar, de reelaborar o que se quer manifestar. Criticar, como vociferar cheios de razão, parece uma compulsão, que não pode ficar entalado na garganta. No dia que a crítica, mesmo que em termos amenos, vem de lá para cá, há melindres, há ódios, notas de repúdio, mentiras. A teoria do decolonialismo mal consegue entender que, de tanto querer superar a colonialidade, colonialismo, busca, sem se dar conta, também, uma raça pura e, quem disser isto, merece o extermínio. A decolonialidade é mais uma inovação vocabular acadêmica, cujo conteúdo é conhecido, há muito, da academia e de movimentos sociais, políticos, dentre outros. Criou-se um volume de escritos e eventos, sobre isto, que, quem não souber falar algo (em favor, é claro) se torna um pária (em sua morada). O crítico da cultura é o enturmado: todos têm que participar. A partir desta exposição de Adorno, de uma forma bem clara, a hipótese, o plano de fundo, neste trabalho é a consciência de que a pesquisa em educação, nos cursos de Licenciatura Plena em Pedagogia, se consolidou como crítica da sociedade e como crítica do conhecimento quando, até por uma questão de honestidade, precisaria alcançar o nível de crítica dialética da sociedade e como crítica dialética do conhecimento. A autopreservação é implacável, até o momento em que as consciências coisificadas passam a desfrutar, gostar desta aparente saída. De uma forma bem fenomenalista se adaptam à realidade ruim, que lhes prejudica e, gostando, se sentem orgulhosos de seus feitos, a ponto de defenderem indígenas, pessoas com deficiência, pessoas negras, LGBTQIAPN+ etc. como verdadeiras justiceiras, desde que haja plateia para seus atos heroicos, louváveis e politicamente corretos , sensíveis e dedicados. O narcisismo coletivo esteve em ação (Adorno, 1995, p. 190) d) OBJETO O objeto de estudo será a pesquisa em educação, nos cursos de Licenciatura Plena em Pedagogia, como crítica da sociedade e como crítica do conhecimento no confronto da crítica dialética da sociedade e como crítica dialética do conhecimento, a partir da produção teórica da Escola de Frankfurt (Teoria Crítica da Sociedade), com especial atenção às obras de Adorno e Horkheimer.