A forma e as temáticas em Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo
Resumo
Este projeto de pesquisa tem como escopo a obra Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo, lançado em Portugal e no Brasil, em 2009 e 2018, respectivamente. É uma obra memorialista, como se nota, sob forma narrativa da autoficção. Dentre as abordagens que se pretende da obra, aponta-se, justamente, a que tange o domínio conceitual da forma literária e sua problematização, considerando o percurso das formulações, desde a criação do termo, com Serge Doubrovsky, e percorrendo seus desdobramentos à atualidade. Com isso, busca-se investigar em que sentido e como a autora se apropria dessa forma literária específica para compor suas memórias. Tendo como base esse eixo, o estudo busca ainda articular o dado formal às temáticas e às perspectivas escolhidas pela autora, uma vez que suas memórias reportam a situações sensíveis, tanto de sua vida íntima e quanto de uma coletividade representada, esta do âmbito histórico do processo colonial português em Moçambique. Busca-se avaliar em que medida a proposta de reflexão revisionista da autora, acerca do que foi o projeto colonial português, e respectiva descolonização, alcança uma visão crítica ou reafirma a tradição da literatura colonial. O que vale dizer, coloca-se em discussão as perspectivas (pós)coloniais trilhadas pela escritora.