IDEIAS E PRÁTICAS DE MULHERES INTELECTUAIS: A EDUCAÇÃO INFANTIL NO PENSAMENTO EDUCACIONAL DE FÚLVIA ROSEMBERG/BRASIL E JUANA PAULA MANSO MARTINEZ/ARGENTINA.
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 5 - Igualdade de Gênero
Resumo
Este projeto de pesquisa tem como objeto de estudo o pensamento educacional de duas autoras, Fúlvia Maria de Barros Mott Rosemberg/Brasil e Juana Paula Manso Martinez/Argentina. Visa a identificação de duas intelectuais brasileira e argentina do século XIX e século XX. Essas mulheres ousaram romper com a visão limitada, idealizada e patriarcal tão comuns na produção acadêmica dos referidos séculos, expondo suas ideias e tratando de vários temas, entre estes, a educação, questões de gênero, relações étnico raciais, política e direito educacional. A primeira viveu de 1942 a 2014, no Brasil, era professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pesquisadora da Fundação Carlos Chagas. A segunda viveu de 1819 a 1875 em Buenos Aires, escritora, jornalista, professora, feminista, lutou e defendeu uma reforma educacional com acessibilidade educacional para as mulheres. A base teórica pauta-se a história cultural, tendo seus desdobramentos na história intelectual e na história das ideias. As questões que levantamos são: Que relações há entre o pensamento educacional de ambas? Como as ideias das autoras se articulam à história da educação na América Latina? Em que medida tais ideias se aproximam e se distanciam do pensamento educacional dos dois países? Como suas ideias se vinculam às condições históricas do continente latino-americano? Em que medida as histórias de vida dessas autoras ajudam na compreensão de suas lutas em defesa da educação da infância e das mulheres? Objetiva-se especificamente e em consonância com os objetivos 4 e 5 da OSD, analisar, por meio do estudo biográfico, as ideias de educação de Fúlvia Maria de Barros Mott Rosemberg e Juana Paula Manso Martinez, elaboradas e defendidas por meio de ações afirmativas rompendo com concepções limitada forjada pelo patriarcado vigorado nos séculos XIX e XX do Brasil e da Argentina para, assim, compreender o sentido que assumiram no contexto político-pedagógico de formação de criança e sua infância de projetos de educação destes países. A metodologia é de caráter qualitativo e tem como fundamentos o Estado de Conhecimento na área de Educação. Para as autoras em tela, investir em um projeto educacional em seus países, demonstra a força feminina na luta e resistência ao forjar o enfrentamento frente a subalternização histórica no domínio político e intelectual de seu tempo. As autoras empreenderam esforços para garantir a presença feminina frente aos desafios nos períodos em que viveram. Se hoje as crianças tem no projeto educacional desses dois países educação garantida no ordenamento legal, foi graças ao engajamento dessas mulheres. A importância desse estudo, significa avanços incontestes, situados na capacidade que apresentam de refletir sobre problemas que precisam ser enfrentados (ensino descontextualizado, violência contra a criança, autoritarismo na escola, discriminação e preconceito, entre outros) diante de uma modernidade que parece irremediável. Os escritos de tais mulheres nos permitiram refletir e acreditar na influência feminina no modo de pensar da América Latina do século XXI.