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Avaliação do efeito do extrato aquoso de Coriandrum sativum L. nas células hematopoiéticas em ratas gestantes e lactantes expostas ao metilmercúrio

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS DA SAUDE
Subunidade
POS-GRADUACAO EM ASSISTENCIA FARMACEUTICA
Coordenador
CAROLINA HEITMANN MARES AZEVEDO RIBEIRO
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Resumo

O mercúrio (Hg) é um metal pesado amplamente distribuído no meio ambiente e em diversos setores da indústria. É considerado um elemento tóxico mesmo em baixas concentrações, sendo prejudicial à saúde humana (POLLARD et al., 2019). O Hg está presente em fontes naturais, como atividades vulcânicas e a queima de combustíveis fósseis, além de fontes antropogênicas, como a mineração, onde sua inalação ocorre na forma de vapores metálicos. Também é utilizado na fabricação de cimento, pesticidas, equipamentos médicos, no setor de resíduos e reciclagem, além da indústria de cloro-soda que fez do Brasil, na década de 1980, um dos principais emissores de mercúrio (SOUSA, 2020; NUNES et al., 2023). O Hg pode ser encontrado em diferentes formas químicas, sendo as principais: o mercúrio elementar ou metálico (Hg⁰), que pode ser volatilizado no meio ambiente; o mercúrio inorgânico (Hg²⁺), capaz de formar diversos compostos inorgânicos; e o mercúrio orgânico, como o metilmercúrio (MeHg), que apresenta alta capacidade de bioacumulação e biomagnificação na cadeia alimentar (DIAS et al., 2019; COELHO et al., 2013; UNSAL, 2018). A forma mais tóxica e abundante é o MeHg, resultante da metilação microbiana do mercúrio inorgânico em ambientes aquáticos. A principal via de exposição humana ao MeHg é a ingestão de peixes contaminados, sendo que cerca de 95% do MeHg ingerido é prontamente absorvido no trato gastrointestinal. Uma vez absorvido, ele se liga a complexos proteicos com alta mobilidade, atravessando tecidos e barreiras fisiológicas, como a placentária e a hematoencefálica (; BUCHANAN et al., 2015; LIU et al., 2020). As consequências da exposição ao MeHg são graves, devido à sua persistência no organismo e elevada toxicidade. Ele possui grande capacidade de atravessar barreiras celulares e se distribuir amplamente pelo corpo, afetando sistemas vitais como o sistema nervoso, a medula óssea, os rins, o cérebro, a placenta e o feto. Um exemplo emblemático ocorreu em 1956, no Japão, quando uma fábrica de acetaldeído e cloreto de vinila despejou resíduos de mercúrio na Baía de Minamata. Isso levou à metilação do mercúrio e à contaminação da cadeia alimentar aquática local, resultando em diversos casos de intoxicação grave (MICARONI; BUENO; JARDIM, 2000; SOUSA; ZAITUNE, 2022).   Em um contexto mais regionalizado, destaca-se a região amazônica, onde o peixe representa uma fonte crucial de proteína e nutrientes para a população. Esse hábito alimentar aumenta significativamente o risco de exposição ao MeHg. A contaminação ocorre, principalmente, por meio do garimpo, que libera mercúrio no ambiente, o qual se dispersa nos rios e ecossistemas aquáticos (VASCONCELLOS et al., 2021; NUNES et al., 2023). Essa combinação de fatores ambientais e dietéticos configura um cenário alarmante de risco à saúde pública. Essas evidências sublinham os perigos do metilmercúrio, especialmente para grupos vulneráveis globalmente expostos por meio do consumo de alimentos contaminados, como as gestantes e lactantes. Durantes a gestação e lactação, o organismo materno passa por intensas mudanças fisiológicas, que podem aumentar a vulnerabilidade a agentes tóxicos (BENTO et al., 2022; WU et al., 2024). Além dos impactos neurológicos e imunológicos, o MeHg pode também afetar a hematopoiese, influenciando a produção e funcionalidade das células sanguíneas, das células-tronco hematopoiéticas (CTHs) e a medula óssea (MO). Esses são fundamentais na manutenção desse processo, complexo e essencial, de formação das células sanguíneas maduras, que transportam oxigênio, que defendem o organismo contra infecções e ajudam na remodelação tecidual (CARMO, 2012; WU et al., 2024). Embora o MeHg seja conhecido por ser imunotóxico, pouco se sabe sobre suas influências nas CTH. O MeHg pode ser distribuído em tecidos moles ou órgãos através da entrega de sangue, é possível influenciar as CTH na MO. Além disso, MeHg pode modular respostas imunes e causar alterações na expressão de várias citocinas, que por sua vez podem afetar as CTH. Há inúmeros estudos realizados para investigar como as CTH são reguladas de forma constante durante a infecção, no entanto, ainda é bastante desconhecido as influências dos xenobióticos ambientais nas CTH (SHENKER, GUO, SHAPIRO, 1998; BROSKE, et. al., 2009; LI, et.al., 2021). Em experimentos com ratos, a exposição ao metilmercúrio resultou numa resposta proliferativa das células linfáticas no timo e no baço, no entanto a ativação das células NK será significativamente reduzida tanto no baço quanto no sangue, indicando uma disfunção imunológica (HONG et al., 2012). Ele pode inibir a função dos leucócitos polimorfonucleares (PMN), reduzindo sua capacidade de eliminar compostos estranhos e suprimindo a síntese de adrenocorticosteróides necessários para estimular a formação adequada dos PMN. Além disso, pode alterar o desenvolvimento e a função das células imunológicas, interferir na produção de certas citocinas e causar estresse oxidativo, levando a respostas inflamatórias (RICE et al., 2014; POLLARD et al., 2019; WU et al., 2024). Diante dos impactos imunotóxicos e hemotóxicos da exposição de xenobióticos , torna-se essencial investigar estratégias capazes de mitigar seus efeitos negativos. Nesse contexto, os antioxidantes naturais, como os presentes em extratos de plantas, tem sido estudado em modelos in vivo e in vitro apresentando efeitos promissores na redução do dano oxidativo e preservação da homeostase celular. Estudos indicam que extrato aquoso de Coriandrum sativum L. (Coentro) é um potente candidato para oferecer benefícios protetores ou atenuante contra a toxicidade do metilmercúrio em células hematopoiéticas. A fundamentação baseia-se em evidências da capacidade antioxidante do coentro, atribuída à presença de compostos fenólicos e flavonoides, que podem atenuar os danos oxidativos causados pelo metilmercúrio (TALAPATRA et al., 2010). Um extrato aquoso será preferido para este estudo, pois demonstrou conter maiores quantidades de polifenóis com alta capacidade antioxidantes. Além disso, dados de pesquisas anteriores indicam que o extrato aquoso de coentro tem uma atividade antioxidante superior em comparação com outros extratos, além de ser uma fonte acessível e segura para potencial tratamento. (2001; MELO et al., 2003; MELO et al., 2005; RODRIGUES et al., 2019). Portanto, o objetivo do presente trabalho é analisar se o extrato aquoso de Coriandrum sativum L. é eficaz na proteção de células sanguíneas de ratas expostas ao metilmercúrio durante a gravidez e lactação.