Caracterização da composição Físico-química do Óleo da Banha da Sucuri-verde (Eunectes Murinus).
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
Impacto na Amazônia
- Biodiversidade e Bioeconomia – Cadeias Produtivas
Resumo
Historicamente, em diferentes culturas em todo o mundo, a saúde e a biodiversidade possuem uma relação intrinsecamente relacionadas por milhares de anos por meio das práticas ancestrais de zooterapia e fitoterapia, fazendo o uso das potencialidades terapêuticas da fauna e flora, tradicionalmente empregadas pelos povos nativos que desenvolveram um amplo conhecimento empírico ao longo de gerações, aprendendo a usar a biodiversidade regional para fins que vão além da alimentação, abrangendo também finalidades terapêuticas e de proteção (SOUZA et al., 2017; OLIVEIRA, 2020). A zooterapia, considerada uma prática milenar, consiste na utilização de recursos de origem animal para fins terapêuticos. Transmitida ao longo de gerações, ainda sendo amplamente empregada até os dias atuais no tratamento de enfermidades humanas e de animais domésticos. Na América do Sul, especialmente na região Amazônica e em comunidades tradicionais, a zooterapia mantém-se relevante devido à vasta biodiversidade existente nessas áreas (SOUZA et al., 2017; ALVES et al., 2008; FERREIRA et al., 2014; ABRÃO et al., 2021). Nos dias atuais, a medicina popular permanece vigente, principalmente em comunidades tradicionais indígenas, quilombolas e ribeirinhas em regiões de maior isolamento geográfico, especialmente na Amazônia. Nesse contexto, observa-se o uso da gordura de espécies de mamíferos de grande porte e répteis para tratamento de afecções respiratórias e inflamatórias, dentre as espécies as quais as gorduras são exploradas, destacamos a sucuri-verde (Eunectes murinus) da família Boidae, que é a maior e mais conhecida das espécies de sucuri (SOUZA et al., 2017; RODRIGUES et al., 2021; OLIVEIRA et al., 2021)., sendo classificada como uma serpente semiaquática, nativa da América do sul, distribuída amplamente principalmente na Amazônia e Pantanal, pois nessas regiões encontra-se o habitat perfeito para a sobrevivência desses animais, vivendo em regiões próximas a rios, lagos, brejos e pântanos (PIRES et al., 2017; ABRÃO et al., 2021; ARAÚJO et al., 2020; CHAMPAGNE et al., 2025). Devido a sua dieta que consiste na sua alimentação baseada em presas de grande porte, esses animais acumulam e armazenam grande quantidade de gordura no tecido adiposo, o que favoreceu seu uso tradicional como recurso terapêutico por povos ameríndios, quilombolas e ribeirinhos. Dessa forma, a gordura da sucuri-verde (Eunectes murinus) configura-se como um produto natural importante na medicina popular para tratamento de lesões e inflamações, em contextos em que há limitações no acesso à assistência médica e produtos farmacêuticos (SILVA, et al., 2008; MALTA et al., 2008)., assim as práticas baseadas em recursos naturais tornam-se uma alternativa acessível e disponível para realidade local. Apesar do amplo uso da gordura de sucuri na medicina popular, estudos científicos recentes têm buscado validar seus efeitos terapêuticos. Pesquisas com ratos Wistar demonstraram que o tratamento com a gordura promoveu cicatrização mais rápida e eficiente, além da ausência de sinais visíveis de inflamação pós-operatória, quando comparado ao uso da pomada comercial (nitrofural). Esses efeitos estão associados à presença de ácidos graxos, como oleico, linoleico e palmítico, compostos relacionados à cicatrização, ação anti-inflamatória e efeito analgésico (ABRÃO et al., 2021; SOUZA et al., 2017). Este projeto tem como objetivo aprofundar o conhecimento científico sobre a banha da sucuri verde (Eunectes murinus) com ênfase na caracterização físico-química do produto, visando avaliar parâmetros relacionados à composição lipídica, perfil de ácidos graxos e estabilidade do produto, contribuindo para uma possível validação de seu potencial terapêutico, em buscas de novas alternativas de tratamento terapêuticas naturais.