Osteomielite crônica primária dos ossos maxilares: Um desafio diagnóstico
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Resumo
A osteomielite crônica primária (OCP) é uma condição inflamatória óssea rara, de caráter não infeccioso e etiologia ainda incerta, que se insere dentro do espectro das doenças ósseas autoinflamatórias. Ao contrário da osteomielite clássica, de origem bacteriana, a OCP não está associada à presença de agentes patogênicos identificáveis, sendo caracterizada por inflamação persistente e estéril do osso acometido1. Embora sua patogênese ainda não esteja completamente elucidada, estudos sugerem que mecanismos imunes inatos, alterações genéticas e disfunções da resposta inflamatória podem estar envolvidos1. A doença afeta predominantemente crianças, com maior incidência por volta dos 10 anos. A apresentação clínica pode ser unifocal ou multifocal, com predileção pelas metáfises dos ossos longos, vértebras, clavículas e pelve, sendo raro o envolvimento da mandíbula2,3. Quando afeta a mandíbula, a OCP manifesta-se com sintomas como dor facial persistente, edema localizado e limitação funcional, geralmente sem sinais evidentes de infecção bacteriana aguda. Essa apresentação clínica inespecífica, aliada à ausência de marcadores infecciosos clássicos, torna o diagnóstico desafiador e favorece sua confusão com outras patologias inflamatórias ou infecciosas crônicas dos ossos maxilofaciais, como displasias ósseas, neoplasias, doenças autoimunes e formas clássicas de osteomielite bacteriana3,4. O impacto funcional e psicossocial da doença pode ser significativo, afetando atividades cotidianas como alimentação, fala e sono4. Por isso, o diagnóstico exige uma abordagem multidisciplinar, baseada na integração de dados clínicos, radiográficos e laboratoriais, com exclusão criteriosa de outras etiologias. O objetivo deste estudo é apresentar um relato de caso e conduzir uma revisão da literatura sobre osteomielite primária crônica da mandíbula, com ênfase em sua apresentação clínica, nos métodos diagnósticos utilizados e nas opções terapêuticas disponíveis. E, portanto, contribuir para o reconhecimento precoce e manejo eficaz dessa condição clínica ainda pouco compreendida, porém relevante no contexto das doenças ósseas inflamatórias crônicas.