ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR DA FUNÇÃO SEXUAL EM MULHERES COM PROLAPSO DE ÓRGÃOS PÉLVICOS E SUA REPERCUSSÃO NO EQUILÍBRIO ESTÁTICO
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- 3 - Saúde e Bem-Estar
Resumo
O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é definido como o deslocamento anormal de estruturas pélvicas femininas como bexiga, útero, reto e intestino delgado através da vagina, decorrente da perda de suporte do assoalho pélvico. De acordo com a International Urogynecological Association (IUGA) e a International Continence Society (ICS), essa condição está inserida em um espectro de disfunções do assoalho pélvico, sendo caracterizada por sintomas como sensação de peso, abaulamento vaginal, disfunções urinárias, intestinais e sexuais (Haylen et al., 2010; Bump et al., 1996). A prevalência do POP varia amplamente, mas estima-se que até 50% das mulheres que já tiveram filhos apresentam algum grau da condição ao longo da vida, especialmente com o envelhecimento (Comitê de Boletins de Prática da AUGS, 2017). Entre os principais fatores de risco, destacam-se idade avançada, multiparidade, parto vaginal, obesidade, histórico familiar, constipação crônica e cirurgias pélvicas anteriores (DeLancey, 2016; Treszezamsky et al., 2010). Além dos sintomas físicos, o POP tem sido associado a importantes repercussões psicossociais. Evidências recentes mostram que mulheres com POP apresentam maior prevalência de ansiedade, depressão e distúrbios do sono, quando comparadas à população geral (Kalata et al., 2023). Esses transtornos tendem a reduzir significativamente após tratamento bem-sucedido do prolapso, indicando uma relação direta entre o alívio dos sintomas físicos e a melhora da saúde mental (Kalata et al., 2024). Além disso, há evidências que relacionam o POP com o controle postural. Um estudo conduzido com mulheres de meia-idade do Nordeste brasileiro investigou a relação entre sintomas de prolapso de órgãos pélvicos (POP) e o desempenho físico, com foco especial no equilíbrio corporal. Os resultados indicaram que mulheres que apresentavam sintomas de POP e incontinência urinária demonstraram pior desempenho em testes de equilíbrio estático, como manter-se em uma perna com os olhos abertos. Isso sugere que alterações no assoalho pélvico podem impactar a estabilidade postural, especialmente em tarefas que exigem controle corporal fino. (Pereira et al., 2021) Outro impacto relevante do POP ocorre na função sexual, que pode ser prejudicada por fatores como dor, constrangimento com o abaulamento vaginal e alterações na imagem corporal. A literatura destaca uma correlação entre a gravidade do prolapso e o comprometimento da satisfação sexual, com melhora dos índices de função sexual após correção cirúrgica ou tratamento conservador (Fatton et al., 2020; Achtari & Dwyer, 2005; Ozel et al., 2006). Assim, o POP deve ser compreendido não apenas como uma alteração anatômica, mas como uma condição que afeta significativamente a qualidade de vida, a saúde emocional e o bem-estar sexual das mulheres, reforçando a importância de uma investigação e abordagem clínica ampla e multidisciplinar.