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Mapeamento da Ativação de Núcleos Talâmicos de Ratos Wistar em Modelo de Dor Crônica ao Longo do Desenvolvimento Pós-Natal.

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS DA SAUDE
Subunidade
FACULDADE DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL
Coordenador
CARLOMAGNO PACHECO BAHIA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Resumo

Define-se dor enquanto uma experiência sensorial, cognitiva e emocional, desagradável associada, ou semelhante àquela associada, a um dano tecidual real ou em potencial (DeSantana et al., 2020; RAJA et al., 2020) Trata-se de uma experiência dinâmica e multidimensional de processamento, as quais são definidas por três componentes independentes, mas intimamente relacionados: (1) sensoriais-discriminativos, (2) afetivosemocionais e (3) cognitivos-motivacionais (Rainville et al., 1997; Price, 2000; Ploner et at., 2017; DeSantana et. al 2020). A experiência dolorosa pode ser classificada de diversas maneiras, a respeito, por exemplo, do mecanismo (nociceptiva, neuropática, nociplástica, mista), sistemas de diagnóstico (como em primária ou secundária) e por duração (aguda e crônica) (Martín, et. al, 2024). Dentre essas, define-se por dor crônica aquela que persiste ou recorre por mais de 3 meses, ultrapassando o tempo normal de cicatrização e perdendo a função de “alerta” da dor aguda. Revisões globais estimam prevalência média de dor crônica em torno de 30% em adultos, em idosos chega a 56% (Treede et. al, 2015). É uma condição fortemente associada a incapacidade funcional, limitações em atividades de vida diária que reduz a qualidade de vida. A combinação da dor persistente com incapacidade séria leva ao maior uso e à sobrecarga dos serviços de saúde (Borchgrevink et. al, 2021) Localizado entre córtex e mesencéfalo e formando as paredes laterais do III ventrículo, o tálamo se define enquanto duas massas ligadas por uma adesão intertalâmica (Shine et. al, 2023). É composto por numerosos núcleos, sendo cerca de 50–60 grupos nucleares (Kosif et. al, 2016). Tais núcleos são subagrupados em grupos anatômicos (anterior, medial, lateral, ventral, posterior), em conjuntos especiais (midline e intralaminares) e em blocos funcionais (sensório-motores, límbicos e de ponte), refletindo organização espacial, conexões e papel funcional, de modo que eles recebem e projetam sinais para diferentes e específicas porções do encéfalo (Battistella et. al, 2016) Sua posição central no diencéfalo o torna um centro de integração sensorial, motor, cognitivo e emocional da dor, agindo não apenas como um centro de retransmissão passiva, mas como uma área passível de mudanças neuroplásticas provenientes da dor persistente, de modo que ele é capaz de modular a forma como esses sinais são repassados para as demais áreas (Shine et. al, 2023). A ativação dos núcleos é alterada conforme a sua maturação (Chang et. al, 2016). Isso quer dizer que, dependendo do período de desenvolvimento e/ou idade em que o evento doloroso possa ocorrer, ele encontre o tálamo com suas redes mais ou menos amadurecidas, o que o tornará mais ou menos suscetíveis à mudanças conformacionais e de adaptação à dor (Hensch, 2005; Feldman, 2009; Ismail et al., 2017). Compreende-se, portanto, que o estágio de desenvolvimento é capaz de influenciar na forma como o a experiência dolorosa é processada no tecido nervoso, fazendo com que o acompanhamento desse contexto, com foco na região talâmica, estruture uma pesquisa inovadora e de extrema relevância social e para o entendimento neurofisiológico da dor.