Efeitos na organização funcional do cérebro de obesos
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
Resumo
A obesidade constitui um dos principais desafios de saúde pública da atualidade, estando associada ao aumento do risco de diversas doenças crônicas e à redução da qualidade de vida (Elagizi et al., 2018; Pagliai et al., 2021). Entre os fatores envolvidos em seu desenvolvimento, destaca-se o crescente consumo de alimentos ultraprocessados e dietas obesogênicas, caracterizadas por elevada densidade energética e altos teores de gorduras e açúcares (Monda et al., 2024). Estudos epidemiológicos têm demonstrado associação consistente entre o consumo frequente desses alimentos, o ganho de peso corporal e o aumento do risco de sobrepeso e obesidade em diferentes populações (Mendonça et al., 2016; Rauber et al., 2021; Monda et al., 2024). O consumo prolongado de dietas obesogênicas promove um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético, favorecendo o acúmulo excessivo de tecido adiposo e o desenvolvimento da obesidade (Stathori et al., 2025). Além das alterações metabólicas, esse processo está associado à instalação de um estado inflamatório crônico de baixo grau, caracterizado pelo aumento da produção de mediadores pró-inflamatórios e pela disfunção de mecanismos reguladores da homeostase energética (Stathori et al., 2025). Evidências experimentais demonstram ainda que dietas hiperlipídicas podem induzir processos de neuroinflamação e inflamação hipotalâmica, comprometendo vias neurais envolvidas no controle da fome, da saciedade e do metabolismo energético (Stathori et al., 2025; Moraes et al., 2014). Dessa forma, a obesidade induzida por dieta deve ser compreendida não apenas como uma alteração metabólica sistêmica, mas também como uma condição capaz de promover importantes adaptações fisiopatológicas em diferentes órgãos e sistemas. Considerando o papel central do hipotálamo na integração de sinais relacionados à fome, saciedade e homeostase energética, compreender como a obesidade influencia a atividade neuronal dessa região pode contribuir para o entendimento dos mecanismos neurais envolvidos no comportamento alimentar (Tung et al., 2009; Dreux et al., 2025). Nesse contexto, a proteína c-Fos tem sido amplamente utilizada como marcador de ativação neuronal, permitindo identificar populações neuronais recrutadas em resposta a diferentes estímulos fisiológicos e comportamentais (Eccles et al., 2025).