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Determinação da janela de tempo do período crítico para neuroplasticidade dos núcleos talâmicos.

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS DA SAUDE
Subunidade
FACULDADE DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL
Coordenador
CARLOMAGNO PACHECO BAHIA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Resumo

Define-se como neuroplasticidade a capacidade do Sistema Nervoso Central (SNC) em remodelar a sua estrutura e função como forma de se adaptar às experiências sensoriais submetidas, ou até mesmo, à privação delas (Ismail et al., 2017). Tal plasticidade é refletida, na maior parte dos casos, na neurogênese, na modulação das sinapses dos circuitos neuronais e, também, nas interações dos neurônios com as células da micróglia, causando melhora funcional, perda e/ou alterações comportamentais (Wiesel et al., 1965). Essas mudanças devem-se por vários arranjos de mecanismos genéticos, moleculares e celulares (Johnston, 2009). Há uma janela de tempo em que o tecido nervoso se encontra mais sensível às influências contextuais, promovendo mais alterações estruturais e fisiológicas que tornam as adaptações mais pronunciadas. Esse tempo, delimitado em dias, é denominado de Período Crítico (PC), o qual possui início e fim (Pascual-Leone et al., 2005). Contudo, muitos estudos na literatura já evidenciaram que diversos mecanismos são capazes de induzir uma leve plasticidade no SN, mesmo após o fechamento dessa janela, pontuando que as adaptações não deixam de ocorrer, todavia não acontecem mais na mesma proporção e intensidade quando comparada às do PC, ou seja, vão diminuindo gradativamente com o passar da idade, haja vista que o tecido nervoso já está bem mais maduro (Heimler et al., 2020). Esses períodos críticos, por sua vez, influenciam o desenvolvimento de muitos outros aspectos sensoriais e funções dentro de diferentes modalidades sensoriais (Fox, 1992; Zhang et al., 2002; Morishita e Hensch, 2008). Sabe-se que as experiências sensoriais durante esses períodos críticos desempenham papéis essenciais na formação de circuitos neurais precisos. O tempo incorreto de início e término desses períodos críticos, ou a ocorrência de experiências sensoriais aberrantes durante esses períodos, por exemplo, são considerados significativamente relacionados a uma série de distúrbios neurológicos, incluindo autismo e esquizofrenia. Portanto, entender os mecanismos subjacentes a tais influências e a janela exata de quando eles ocorrem continua a ser um objetivo muito importante (Martins et al., 2022). O Período Crítico de Neuroplasticidade (PCN) é mais evidente durante o período pósnatal inicial, mas o PC exato é variável entre as regiões do SNC (Pascual-Leone et al., 2005). Anteriormente, estudos sobre a plasticidade dependente da experiência sensorial focaram principalmente no córtex, geralmente com ênfase específica no córtex visual e somatossensorial (Fox e Wong, 2005; Hensch, 2005). Contudo, além da área cortical, estudos recentes descobriram que as regiões subcorticais podem ser ainda mais plásticas nas primeiras etapas do desenvolvimento do que se pensava inicialmente, especialmente o tálamo (Hooks and Chen, 2008; Wang and Zhang, 2008) Localizado acima do tronco encefálico, o tálamo é uma estrutura do diencéfalo que atua como o principal centro de retransmissão sensorial do SNC, sendo responsável por integrar, processar e distribuir informações sensoriais e motoras ao córtex cerebral. É formado por diversos núcleos, de modo que cada um deles estão relacionados a um estímulo e uma região cortical bem delimitada, como o Núcleo Ventral Posterolateral (VPL) e Ventral Posteromedial (VPM), relacionados com informações somatossensoriais, o Núcleo Geniculado Lateral (NGL) na via visual, o Núcleo Geniculado Medial (NGM) com os estímulos auditivos, e o Núcleo Ventral Anterior (VA), o qual, juntamente com o Ventral Lateral (VL), atuam na porção motora (Kandel et al., 2023). Todavia, é importante salientar que o tálamo não atua apenas como um centro de transmissão passivo, mas também modula esses sinais, com feito pelo núcleo reticular do tálamo, por exemplo. Assim, o tálamo desempenha papel essencial não apenas na condução das vias sensoriais, mas também na regulação da atividade cortical, sendo um elemento funcional entre estímulo periférico, processamento central e resposta cortical (Kandel et al., 2023). Portanto, por estar intimamente ligado ao córtex, a compreensão detalhada do seu PCN é indispensável para o estudo da neurociência, haja vista que, por meio dele, haverá um melhor entendimento a respeito da contribuição talâmica na atividade cortical, elucidando melhor o funcionamento SN, bem como a construção embasamentos para intervenções precoces em distúrbios do neurodesenvolvimento.